Mostrando postagens com marcador Noticias do Montanhista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Noticias do Montanhista. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de maio de 2012

Uma dica ótima para uma emergência, aprenda a fazer um fogareiro com latas de refrigerante.

FOGAREIRO A ÁLCOOL

Construa em casa um fogareiro a álcool utilizando latas de refrigerante ou de cerveja. O interessante deste projeto é que ele pode ser feito mesmo durante uma viagem se, por exemplo, seu fogareiro oficial quebrou. 

Neste caso se trata de uma solução que eu diria, estilo MacGyver, (rsrs) quando falamos de MacGyver podemos desconfiar de tudo que ele fazia, truques de cinema? eu diria que sim. Mais neste caso, este fogareiro eu posso garantir funciona mesmo eu fiz o teste e inclusive já fui acampar com um deles e fiquei surpreso com a sua eficiência, com uma autonomia de aproximadamente 30 a 35 minutos de chama muito boa, o suficiente para fazer um bom cafe e o tradicional macarrão instantâneo.

Veja agora o processo passo a passo como montar o seu.

Ferramentas

- tesoura
- martelo
- faca pequena de ponta afiada
- alicate pequeno
- prego pequeno com ponta afiada
- pedaço de lixa
- régua – ou fita métrica
- compasso, ou moeda 10 centavos (p/ riscar um circulo).

Material Utilizado
3 latas de alumínio


1- Iniciar fazendo os furos no fundo da lata, distante 0,5 cm um do outro. 




2 - Colocar a moeda no fundo da lata e riscar um circulo.


3 - Furar o centro.


4 - Com a faquinha cortar em cruz o círculo à partir do furo. 


5 - Recortar à partir da base, para formar uma abertura quase circular, e uma boa grade para prender o tubo central.


6 - Riscar a lata com 5,5 cm medindo do topo acima dos furos.


7 - Cortar bem alinhado.










8 - Fazer dois cortes até a borda mais dura, tirando um filete obliquo pequeno.







9 - Corte para facilitar o encaixe










10 - Bater com o cabo da tesoura na quina para um encaixe perfeito do fundo.








11 - Corte uma lâmina de 4,5 cm do que sobrou da primeira lata.









12 - Faça um tubo na medida do orifício da primeira peça e que encaixe bem nas garras,







13 - Para prender o tubo use fitas finas retiradas da lata, ou arame fino e macio. Faça quatro furos triangulares pequenos dispostos em cruz (este tubo é o segredo do bom funcionamento do fogareiro, capriche).




14 - Encaixe o tubo com a parte lisa na grade, e com a parte furada para receber o fundo da lata








15 - Corte outra lata com 6,5 cm medindo da parte alta do fundo.









16 - encaixe as duas partes com cuidado








17 - Pressione até o tubo ficar firme e bem assentado no fundo.










18 - Corte o excesso da lata com a tesoura.









19 - Dê acabamento com a lixa e está pronto seu fogareiro. 








20 - Faça o abafador (que serve para apagar o fogo) cortando o fundo de uma lata e deixando uma parte para dobrar e servir de cabo.








Use álcool automotivo, é o que tenho usado sempre é bom e barato, para abastecer o fogareiro o nível máximo é pouco acima do meio do tubo, dá para cozinhar mais ou menos 30 a 35 minutos.


Para acender o seu fogareiro basta acrescentar o álcool no furo central do fogareiro pouco acima do meio e depois acenda o álcool que aparece no buraco, apos 3 ou 4 minutos o combustível começa a evaporar  e sair pelos furos mantendo este ciclo até a evaporação completa.


Tenha cuidado de proteger o fogareiro ao guardá-lo nos alforjes para não amassá-lo.
Uma informação importante: depois de aceso demora 3 ou 4 minutos para o fogo sair pelos orifícios, daí em diante a chama fica azul e forte. Use protegido do vento para um ótimo aproveitamento. Nos meus acampamentos cozinho arroz em 15 minutos, café em 12 minutos. Etc....


Espero ter colaborado com todos que amam o contato com a natureza e a colaboração entre as pessoas.
Obs. Nunca esqueça que está lidando com produto altamente inflamável, pratique toda prevenção no manuseio do mesmo.

Fonte: Paulo Toschi Netto
Luciano Ribeiro






sexta-feira, 27 de abril de 2012

Waldemar Niclevicz o maior montanhista do Brasil

Waldemar Niclevicz 


O paranaense Waldemar Niclevicz nasceu em Foz do Iguaçu e durante toda a sua infância teve muito contato com a natureza. De acordo com o próprio Niclevicz, o alpinismo entrou naturalmente em sua vida.
Até os seus 11 anos de idade, sua principal “aventura” era sair para pescar e caçar com seu pai. Aos 12 anos, ele e sua família foram morar em Curitiba, onde teve contato com a Serra do Mar. Com 15 anos Niclevicz escalou a sua primeira entre muitas montanhas: o Pico do Marumbi, com 1.539 m. “Foi paixão à primeira vista”, recorda o alpinista brasileiro. A partir de então, Niclevicz começou a praticar o montanhismo, caminhando e acampando nas montanhas.
Já com 18 anos, Niclevicz mudou-se para a região de Itatiaia (entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais) e foi lá que ele realmente aprendeu a usar o equipamento técnico que envolve a escalada, como os mosquetões e cordas. O Planalto de Itatiaia é, para Niclevicz, o lugar mais alpino do Brasil.
Nesta mesma época (1985) ele fez uma das viagens mais marcantes de sua vida. Niclevicz foi em busca do “caminho inca” e viajou por toda a Bolívia e Peru. A aventura e o prazer em conhecer novos povos e culturas tornaram-se ainda mais fortes em sua vida. Essa foi a primeira vez que o alpinista pisou na neve e sentiu o “ar rarefeito” que assombra a maioria da população ao mesmo tempo em que hipnotiza os verdadeiros alpinistas.
Depois dessa viagem, seu caminho estava traçado. Niclevicz formou-se nos mais diversos cursos de alpinismo, espeleologia, além de formar-se na Faculdade de Turismo, pela Universidade Federal do Paraná.
Para arrecadar “fundos” para suas viagens, Niclevicz trabalhava em uma fábrica de mochilas além de guiar grupos de turistas em montanhas e cavernas. Todo e qualquer “dólar” que juntasse transformava-se rapidamente em “viagem” pela América do Sul. E foi assim que, em 1988, Niclevicz tornou-se um alpinista profissional, ao chegar ao topo do Aconcágua, na Argentina, em fevereiro daquele ano.
Para o atleta, até então amador, essa montanha marcou sua vida. Nicleviz conta que a emoção de chegar ao cume do Aconcágua (6.959 m), sozinho em todos os sentidos, mexeu demais com ele. A partir de então, ele passou a dedicar-se integralmente ao alpinismo.
A carreira do maior alpinista brasileiro estava apenas começando. Leia mais nas próximas páginas e saiba quais foram as suas principais conquistas.
Principais conquistas

O currículo de Niclevicz é invejável. Não bastasse ser o primeiro brasileiro a escalar o Everest, em 1995, ele repetiu o feito dez anos depois, desta vez, subindo pela face sul, face contrária à escalada em 1995. Também constam em seu currículo o K2, considerada a montanha mais gelada e perigosa da Terra.
Niclevicz também escalou os Sete Cumes, a maior montanha de cada um dos continentes, a Trango Tower, maior montanha de granito do mundo, além de seis das 14 montanhas com mais de 8 mil metros de altitude no mundo. Leia um pouco mais sobre cada uma de suas principais conquistas:

Everest

Após uma tentativa frustada em 1991, em função de um defeito no equipamento de oxigênio e estando a apenas 300 m do topo, Niclevicz finalmente chegou ao topo da maior montanha do mundo, o Everest, mais precisamente no dia 14 de maio de 1995. Para comemorar o feito, ele escalou novamente a montanha, dez anos depois, em 2005. Na primeira ocasião, Niclevicz escalou pela face norte. Já na expedição “Everest 10 anos” ele escalou pela face sul. No dia 2 de junho de 2005, Niclevicz fincou novamente a bandeira brasileira no topo da maior montanha do mundo.


©2007 www.niclevicz.com.br
No topo do Everest, em 1995

K2

O K2 é a segunda maior montanha do mundo (8. 611 m). Apenas 185 alpinistas conseguiram chegar ao topo do K2 - outros 54 morreram tentando, o que faz com que o K2 seja conhecido como “a montanha da morte”.
Só para dar uma idéia do que estamos falando, o Everest, maior montanha do mundo, está a apenas 237 metros acima do K2, porém, é mais fácil de ser escalado. Enquanto que cerca de 400 pessoas tentam escalar o Everest anualmente, apenas 30 aventuram-se pelo K2.
Niclevicz precisou de três expedições para conquistar o tão sonhado K2. Em todas elas ela contou com a companhia do alpinista e amigo italiano Abele Blanc. A primeira tentativa aconteceu ainda em 1998. Os alpinistas chegaram até os 7.700 m, mas quando tentaram prosseguir quase todo o grupo foi carregado por uma enorme avalanche. Decidiram então, retornar.


©2007 www.niclevicz.com.br
No topo do K2, no ano 2000

A segunda expedição aconteceu logo no ano seguinte, em 99. Ao chegarem ao acampamento base, porém, encontraram péssimas condições climáticas, com neve fofa acima de 7 metros. Novamente, optou-se pelo retorno.
Finalmente, no ano 2000, Niclevicz conquistou o tão esperado cume do K2. Para tanto, ele esperou 28 dias no acampamento base até que o tempo melhorasse. No dia 29 de julho daquele ano, após 19 horas e 30 minutos de escalada contínua, ele chegou ao topo. Niclevicz chegou a perder a visão do olho esquerdo durante aqueles dias de escalada (recuperada posteriormente). Um de seus companheiros de escalada, o italiano Marco Camandona, acabou tendo que amputar a primeira falange de cada um de seus dedos.

Sete Cumes

Escalar os Sete Cumes significa conquistar a principal montanha de todos os continentes. Apenas 52 alpinistas conseguiram tal feito. Niclevicz foi o segundo sul-americano a conquistar os Sete Cumes e o único brasileiro. O Aconcágua, em 1988, foi o primeiro cume conquistado. Veja quando aconteceu cada uma das conquistas dos sete cumes.

©2007 www.niclevicz.com.br
A localização dos Sete Cumes 



Trango Tower

A Trango Tower, com seus 6.251 m de altitude e localizada no Paquistão, é considerada a maior torre de granito do mundo.Trata-se do maior "big Wall" conhecido na Terra. Para tanto antes de partir para essa expedição, Niclevicz treinou muito no Parque Nacional Yosemite, nos Estados Unidos, maior centro de escalada de big wall do mundo. De acordo com Niclevicz, o que mais assustava na Trango Tower eram as pedras que rolavam “sem aviso” passando raspando por ele. Em 30 de junho de 2001, ele conquistou a torre.


©2007 www.niclevicz.com.br
A Trango Tower, no Paquistão
Clique na imagem abaixo e veja todas as conquistas de Niclevicz.


Feitos notáveis

· Escalou sozinho o Aconcágua, maior montanha da América do Sul, em 1988.
· 1º brasileiro a escalar sozinho o Ojos del Saldo, maior montanha do Chile, 1989.
· 1º brasileiro a escalar sozinho o Huascaran, maior montanha do Peru, 1989.
· 1º brasileiro a escalar sozinho o Chimborzado, maior montanha do Equador, 1989.
· 1º brasileiro a escalar sozinho o Matterhorn, maior montanha da Suiçãi, 1991.
· 1º brasileiro a escalar sozinho o Mont Blanc, maior montanha dos Alpes Europeus, 1991.
· 1º brasileiro a escalar o Everest, maior montanha do mundo, 1995 (ao lado de Mozart Catão)
· 1º brasileiro a escalar sozinho o Elbrus, maior montanha da Europa, 1996
· 1º brasileiro a escalar o Vinson, maior montanha da Antártida, 1996 (ao lado de Dave Hann)


©2007 www.niclevicz.com.br
No topo do Vinson, Antártida

· 1º brasileiro a escalar sozinho o Sajama, maior montanha da Bolívia, 1997
· 1º brasileiro a escalar sozinho o McKinley, maior montanha da América do Norte, 1997.


©2007 www.niclevicz.com.br
No topo do McKinley, América do Norte
· 1º brasileiro a escalar sozinho o Cartensz, maior montanha da Oceania, 1997.


©2007 www.niclevicz.com.br
No topo do Cartensz, Oceania

· 1º brasileiro a completar os Sete Cumes, a escalada da maior montanha de cada um dos continentes, 1997.
· 1º brasileiro a escalar o Shisha Pangma, 13ª maior montanha do mundo, 1998 (ao lado de Abele Blanc)
· 2º brasileiro a escalar o Cho Oyou, 7ª maior montanha do mundo, 1998 (ao lado de Abele Blanc).
· 1º brasileiro a escalar o Gasherbrum, 14ª maior montanha do mundo, 1999 (ao lado de Abele Blanc).
· Escalou o Pico da Neblina, maior montanha do Brasil, 2000 (ao lado de militares do exército brasileiro).
· 1º brasileiro a escalar o K2, segunda maior montanha do mundo, 2000 (ao lado de Abele Blanc).
· 1º brasileiro a escalar o Trango Tower, maior torre de granito do mundo, 2001 (ao lado de Irivan Burda e Marcelo Santos).
· 1º brasileiro a escalar o Lhotse, 4ª maior montanha do mundo, 2002 (ao lado de Irivan Burda).
· 1º brasileiro a escalar o San Valentin, maior montanha da Patagônia, 2004 (ao lado de Renato Kalinowski).
· 1º brasileiro a escalar pela segunda vez o Everest, maior montanha do mundo, 2005 (ao lado de Irivan Burda).
· 1º brasileiro a escalar os montes Cook e Tasman, maiores montanhas da Nova Zelândia, 2006 (ao lado de Marty Bear).
· 1º brasileiro a escalar o Gunnbjorns e o Dome, maiores montanhas do Ártico, 2006 (ao lado de Mark Thomas).

Niclevicz hoje

Apesar de não contar atualmente com o apoio de patrocinadores, Niclevicz decidiu organizar uma arriscada e ousada expedição no primeiro semestre de 2007. Com muita garra (além de suas “economias”), o alpinista brasileiro rumou novamente em busca do cume.
No dia 28 de março de 2007, Niclevicz partiu, juntamente com os brasileiros Irivan Burda e Maurício Clauzet e o francês Gilles Bouchet, para o Nepal. Tinha início a expedição Brasil Makalu, cujo objetivo era conquistar a 5ª maior montanha do mundo.


© 2007 www.niclevicz.com.br
Waldemar Niclevicz e Irivan Burda

O Makalu, com seus 8.463 m de altitude, só foi conquistado até então, por 12 alpinistas do mundo inteiro. Infelizmente, atolados em neve até os joelhos, aos 7.800 m de altitude, os alpinistas foram obrigados a desistir. No dia 21 de maio de 2007 eles retornaram ao acampamento base. A expedição Brasil Makalu foi uma expedição genuinamente brasileira, com recursos limitados, sem patrocínios, idealizada por Niclevicz e pelo Irivan.
Vídeos de Niclevicz

· Everest, a conquista brasileira
· Um sonho chamado K2 - 2007

Atualmente, Niclevicz vem transmitindo seus conhecimentos realizando palestras motivacionais em empresas. Com o enfoque em superação de desafios, conhecimento dos próprios limites, planejamento estratégico, empreendedorismo entre outros assuntos, as palestras do alpinista são verdadeiro sucesso. Ao todo, o alpinista brasileiro já proferiu mais de 400 palestras em todo o Brasil.


©2007 www.niclevicz.com.br

Niclevicz também abriu a sua própria editora, Sagarmatha, com o fim de gerenciar suas expedições, realizar palestras, buscar patrocínio, bem como editar e vender seus livros e vídeos. O alpinista já lançou quatro livros, sendo três sobre o Everest e o último sobre o K2. Niclevicz também produz e comercializa vídeos de suas expedições.
Livros de Niclevicz

· Tudo pelo Everest - 1995
· Everest, Sagarmatha, Chomolunga - 1996
· Everest, o diário de uma vitória - 2002
· Um sonho chamado K2 - 2007

"Hoje posso me considerar um alpinista profissional, pois estou conseguindo realizar belos e importantes projetos em várias montanhas ao redor do mundo. Também venho fazendo muito sucesso realizando palestras motivacionais para empresas. Moro em Curitiba, vivo nas montanhas, sou feliz".
Waldemar Niclevicz


Fonte:
Waldemar Niclevicz.

http://esporte.hsw.uol.com.br/

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Frostbite: Ulceração Pelo Frio














Frostbite nos dedos.

Quando a pele se resfria a temperaturas próximas de zero, podem ocorrer ulcerações em conseqüência do congelamento dos tecidos (frostbites). Isso se produz mais comumente nas extremidades, como as orelhas, o nariz, os dedos das mãos e dos pés. Em casos brandos, somente camadas externas da pele congelam. O frostnip, como é por vezes chamado em inglês, se caracteriza por uma pele branca, de aparência cérea e perda de sensação. É semelhante a queimadura do sol e outras queimaduras de primeiro grau.

Já o frostbite profundo é uma forma mais séria de ulceração que, consiste no congelamento de tecidos mais profundos, como os músculos, ossos e tendões o que, resulta quase invariavelmente em dano permanente do tecido e pode acabar por exigir a amputação. Muitoa exploradores polares e montanhistas perderam os dedos dos pés ou das mãos para o frosbite.

Quando um tecido se congela, formam cristais de gelo nas células e nos fluidos que as banham. Se o congelamento é lento, os cristais de gelo aparecem primeiro nos fluidos extracelulares. Isso aumenta a concentração da solução que permanece não congelada, e arrasta água para fora da célula por osmose ( a tendência da água a se mover de uma solução de alta concentração para uma de baixa concentração). Consequentemente, a célula encolhe e a concentração salina em seu interior se eleva. Como proteínas são permanentemente danificadas por níveis elevados de sal, isso resulta em morte celular. Quando o congelamento é rápido, agulhas de gelo podem se cristalizar dentro das células, perfurando suas membranas. Se cristais de gelo se atritam, podem romper fisicamente as células, uma das razões, por que não é aconselhável esfregar áreas afetadas pelofrostbite.














Frostbite nos dedos dos pés em escalador de expedição ao Everest.

Danos adicionais ocorrem por ocasião do reaquecimento. As células que revestem as paredes dos vasos sanguíneos mais finos são particularmente sensíveis e, quando reaquecidas, tornan-se porosas. Fluido vaza delas, causando inchação do tecido circundante. O extenso dano que pode ocorrer por ocasião do reaquecimento significa que é prudente manter congelado o tecido severamente atacado pelo frostbite, até que o paciente possa receber atenção médica. Descongelar e recongelar pode ser catastrófico.









Inchaço dos tecidos causado pelo frostbite.










Frostbite severo nas pontas dos dedos.

Fonte: Texto retirado do livro: A Vida no Limite – A Ciência da Sobrevivência

Autora: Frances Ashcroft

Editora: JZE – Jorge Zahar Editor

-------------------------------------

Fonte: http://www.esportedeaventura.com

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Parques Nacionais do Itatiaia e Serra dos Órgãos têm reajuste nos preços

A partir do próximo dia 4 de Abril os Parques Nacionais do Itatiaia e Serra dos Órgãos no Rio de Janeiro, passarão a ter novas tarifas de visitação.

Devido à portaria ICMBio n° 135/2010, os parques nacionais brasileiros poderão reajustar seus preços aos visitantes.

O Parque Nacional do Itatiaia, Unidade de Conservação que abriga algumas das formações montanhosas mais populares do Sudeste brasileiro, como o Pico das Agulhas Negras e Morro das Prateleiras, terá novas tarifas de visitação em 04 de Abril.
Os visitantes em Geral pagarão R$22,00 por dia de visitação, porém, brasileiros tem desconto de 50% e pagam somente R$11,00. O camping que foi reaberto ao lado do Abrigo Rebouças terá uma taxa de R$5,00 e o abrigo passará a ser pago, R$10,00 a diária.

Parque Nacional da Serra dos Órgãos
A partir do dia 01 de março de 2011 teve início a cobrança dos ingressos e taxas conforme a Portaria ICMBio n° 135/2010. Confira abaixo os valores atuais.


Ingresso ***

Utilização de trilhas de montanha, primeiro dia

Montanha, dias adicionais (sábados, domingos e feriados)

Montanha, dias adicionais (2º a 6º feira)

Brasileiros

R$ 11,00 *

R$ 16,50**

R$ 8,25

R$ 1,65

Estrangeiros

R$ 22,00

R$ 33,00

R$ 16,50

R$ 3,30


* Moradores dos municípios de Guapimirim, Magé, Petrópolis e Teresópolis tem 80% de desconto sobre essa taxa (R$ 2,20).
** Membros de clubes excursionistas tem desconto de 50% sobre essa taxa (R$ 8,25).*** Maiores de 60 anos e menores de 12 anos são isentos do pagamento de ingresso.

Estacionamento de veículos (por dia de permanência no Parque) - R$ 5,00

Estacionamento de motos (por dia de permanência no Parque) - R$ 3,00

Camping (cobrado por pessoa, por pernoite) - R$ 6,00

Observações:

1 – Os moradores dos municípios do entorno tem direito a desconto somente na taxa de ingresso para a parte baixa. Além disso, é imprescindível que o visitante apresente comprovante de residência em nome próprio, ou demonstre de maneira clara que reside em um dos municípios.

2 – Membros de clubes de excursionismo têm direito ao desconto de 50 % somente para o primeiro dia de utilização das áreas de montanha.

3 – Têm direito a isenção da taxa de ingresso os menores de 12 anos e maiores de 60 anos. Além disso, esta isenção se aplica somente ao ingresso do visitante e ao estacionamento do veículo em que o mesmo se encontra. Os demais serviços, bem como os ingressos de acompanhantes devem ser pagos normalmente.

4 – O pagamento do ingresso não isenta o visitante do pagamento das demais taxas. O pagamento da taxa de uso do camping também não isenta o visitante do pagamento da taxa de visitação.

5 – As trilhas de montanha serão cobradas por dia. Exemplo: quem for subir e descer a Pedra do Sino em um mesmo dia deverá pagar o ingresso no parque e a taxa de uso da trilha por um dia. Entretanto, se houver um pernoite, o visitante deverá pagar o ingresso mais dois dias de trilha.

6 – Estacionamento disponível somente nas Sedes Teresópolis e Guapimirim.

7 – O visitante que comprove ser titular ou parente em até primeiro grau de beneficiário do programa Bolsa Família será equiparado ao morador do entorno.

8 – O visitante estrangeiro que possua documento de identidade brasileiro ou comprove possuir residência no Brasil será equiparado ao visitante brasileiro.

Antes de visitar o PARNASO é importante conhecer as Regras de Uso Público do PARNASO, bem como algumas normas de conduta consciente em áreas protegidas.

Ingressos antecipados:

A venda de ingressos antecipados é feita apenas nas bilheterias do parque. Os ingressos são vendidos com no máximo 7 dias de antecedência.

Horários:

Todos os dias das 8:00 as 17:00 (todas as sedes)
É permitida a entrada no parque entre 6:00 e 8:00 e entre 17:00 e 22:00 mediante compra antecipada de ingresso nas bilheterias no parque.

Fonte: ICMbio
Luciano Ribeiro

sábado, 5 de março de 2011

As 11 montanhas mais altas do Brasil

André Dib nos presenteia com um cobertura das 11 maiores montanhas brasileiras que com suas diversificadas
paisagens tem instigado aventureiros a percorrerem caminhos por vezes adversos, mas
recompensadores


Desde os primórdios os homens buscam o alto de uma montanha sem um motivo aparente. O que leva as pessoas às alturas de um pico? Superação da condição humana? Transcendência? Ou somente a sensação da conquista? Essas são questões tão antigas como a própria humanidade. A montanha sempre esteve presente no imaginário das pessoas em todas as civilizações, através da mitologia que fundamenta e guia a história dos povos.

O Monte Olimpo era a residência dos deuses para os antigos gregos, e através da mitologia, influenciou diretamente toda a cultura ocidental.

No folclore japonês, as montanhas são sagradas e todas possuem uma atmosfera sobrenatural. O Monte Fuji, por exemplo, seria a passagem para o outro mundo. Na mitologia Taoista, os imortais iam viver no cume dos grandes montes. O Monte Roraima, sustenta a morada do Deus Macunaíma.

Onde existir um pico imponente, marcando a paisagem, foi, ou é, para alguns um lugar sagrado ou a morada de um deus.

O fato é que as montanhas causam no homem perplexidade diante de sua natureza descomunal. Instigam a percepção de seu tamanho, insignificante, ínfimo diante da grandeza do mundo e da natureza que o cerca. A montanha simboliza a ruptura entre os níveis, do racional para o imaginário

que ilustra os sonhos. Faz a ligação entre o céu e a terra.

Para a filósofa Zelita Seabra, O amor à montanha, naqueles que o sentem, tem raízes profundas.

O ritual de preparação, o ato da subida, a busca pela imensidão faz parte do íntimo de muitos indivíduos, que não se contentam apenas à contemplação. É um momento de introspecção, a viagem se interioriza. O sentimento de subir é indizível, o silêncio é rompido pela respiração ofegante. O cume se aproxima!

Por que o ser humano é tomado pela inquietude, por essa ânsia de buscar o encanto no desconhecido?

O Escritor Jon Krakauer, cita as encenações grosseiras em filmes e metáforas banais ao que o tema se presta, no excelente livro “Sobre homens e Montanhas”. Lembra ainda a interpretação equivocada de alguns psicanalistas que nunca romperam os limites de um consultório.

A palavra “montanhismo”, na concepção do público contemporâneo, causa a mesma repulsa da idéia de estar diante de tubarões ou abelhas assassinas. Porém, o êxtase das alturas está ligada ao ser humano, incontestavelmente, como a experiência de algo sublime, que nos permite enxergar e sentir que fazemos parte de um todo muito maior, que nunca vamos compreender.

O Brasil é um país extenso, conhecido por suas belas praias e pela maior floresta tropical do mundo. No entanto, além de dunas, ilhas, rios e florestas, mesmo sendo um lugar de escassas altitudes, existe um Brasil imponente em sua magnitude, e ainda muito pouco conhecido.

As montanhas brasileiras são excessivamente baixas, se comparadas aos grandes picos andinos que

ultrapassam os 6 mil metros, ou os gigantes nevados do Himalaia, que se espicham a mais de 8 mil

metros de altitude. No entanto, elas têm suas peculiaridades. Em lugares distintos surgem sobre a forma de grandes muralhas, seja na Mantiqueira ou Caparaó, a espreita, margeando grandes centros ou nos confins do nosso território, cercado por matas densas e inacessíveis, sobre a Serra do Imeri, no extremo norte do país. Sobressaem-se, sempre, roubando a cena, se espichando e rompendo as nuvens em direção aos céus.

No texto que segue, escolhi 11 montanhas que figuram entre as maiores do país. Na verdade, fazem parte de listas que divergem uma das outras e instigam discussões sobre quais podem ser consideradas realmente um pico e as que apenas compõem cumes secundários de uma mesma montanha. Existem estudos que elegem, no Caparaó, outros dois picos sem nome, no grupo das grandes montanhas brasileiras. O Pico do Calçado, na Serra do Caparaó, também fomenta discussão. Com o passar dos anos, medições têm sido refeitas, especialmente a partir do projeto “Pontos Culminantes” do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, voltado para a conferência e revisão das medidas, que começou em 2001, um trabalho ainda em andamento. Com isso, listas serão refeitas e classificações sobre as porções mais altas do País serão retomadas, fazendo das medidas existentes referências de uma verdade transitória e não absoluta. Nesse sentido, a seleção que segue é muito mais simbólica do que pautada por um rigor científico e pretende se oferecer como um convite aos apaixonados pelos desafios, pela liberdade e pelas peculiares experiências

propiciadas pelos desejados cumes.

1ª - Pico Da Neblina – Serra do Imeri AM – 2.993 m

A neblina ofusca a visão e oculta a paisagem, lembrando que a denominação é pura alusão ao

fenômeno A probabilidade de vê-lo é pequena, já que o pico faz jus ao nome e se apresenta envolto em sua neblina quase eterna ao longo do ano. Para se atingir o ponto culminante do país a tarefa é árdua, afinal são cerca de 10 dias, enfrentando batalhões de insetos, calor, frio, fome e cansaço rumo ao topo do Brasil. A história começa em São Gabriel da Cachoeira, cidade às margens do Rio Negro, perto da divisa com a Colômbia. De lá são cerca de 5 horas chacoalhando sobre a carroceria de um caminhão pela barrenta BR-307, passando pela inspeção da FUNAI a estrada segue pela reserva indígena do Balaio,

região habitada por diferentes etnias, entre elas Tukános, Desána, Yepamashã, Kobéwa, Tuyúka, Pirá-Tapúya, Baníwa, Baré e Tariáno, até atingir o rio Ya-Mirim, para iniciar uma nova e extenuante jornada de dois dias sobre uma voadeira vencendo rios traiçoeiros, que já vitimaram algumas embarcações tombadas pelas pedras ocultas sob as águas barrentas.

Para não ter sérios problemas com os índios, é fundamental uma autorização da AYRCA(Associação Yanomami do Rio Cauaburís e Afluentes), documento liberado pelo presidente da associação e amplamente debatido com as lideranças indígenas, que questionam os motivos e intenções da expedição.

A área fica na Tríplice fronteira (Brasil/Venezuela/Colômbia) e freqüentemente é alvo de exploração clandestina de minérios, garimpo, biopirataria além da eminente proximidade dos vizinhos guerrilheiros das F.A.R.C.

O parque nacional do Pico da Neblina foi criado na década de 70, sobre terras Yanomami, que tiveram sua área recentemente demarcada. Com sua cultura milenar, os indígenas lutam bravamente para defender seu espaço sagrado e manter a soberania sobre seu território.

No terceiro dia é hora de deixar o barco. Começa a caminhada por ladeiras sombreadas por mata primária, do Igarapé do Tucano em direção ao Bebedouro Velho, local do próximo pernoite. A umidade é um dos piores adversários, penetrando nas frestas mais protegidas dos equipamentos. No outro dia segue-se ao bebedouro novo e as pegadas de onça mostram que os felinos estão à espreita. O calor beira o insuportável, e a chuva é presente em toda caminhada. No dia seguinte, o terreno começa a se modificar vagarosamente e o caminho de terra, folhas e lama dá lugar a musgos e liquens, formando um tapete traiçoeiro e escorregadio pelo infindável aclive pedregoso. As árvores altas sedem espaço a vegetação de altitude. Bromélias e orquídeas ornamentam o caminho e mostram as diferentes faces de uma Amazônia pouco conhecida. No dia do ataque ao cume, são

cerca de 1000 metros a vencer. Os músculos tensos sentem, a pele marcada pelas folhas cortantes faz lembrar, porque o Parque Nacional do Pico da Neblina é considerado um dos lugares mais inóspitos e hostis do planeta. A geografia se transforma abruptamente e o jardim jurássico de bromélias e raízes dá lugar ao caminho rochoso, abrasivo e firme. O auxílio de cordas é inevitável para romper os últimos abismos que separam o viajante do Pico da Neblina, que resume-se a alguns metros quadrados, que passam dias a fio sem um único raio de sol, com uma bandeira do Brasil gritando freneticamente aos caprichos do vento. É bem provável enfrentar dias difíceis dentro da mata, para não se ver nada além da Neblina. Entretanto, não é o cume o tempero principal dessa jornada. O caminho, o desafio de vencer as limitações físicas e emocionais faz dessa empreitada algo para poucos. O topo do Brasil está conquistado!

2ª - Pico 31 de Março – Serra do Imeri(AM) – 2.972m

A data é para ser esquecida! 31 de março de 1964 foi o dia em que culminou o golpe militar que

derrubou o presidente João Goulart e deu início aos anos negros da ditadura no nosso país. O segundo cume mais alto do Brasil foi conquistado no mesmo ano negro, por uma expedição militar, que, provavelmente batizou o pico assim para homenagear o feito catastrófico... Bom, mas essa já é passado.

O Pico fica na Serra do Imeri, bem perto do Neblina e pode ser considerado um cume secundário da montanha mais alta do Brasil, pois se encontra no mesmo maciço. Mais aplainado que o vizinho gigante, o 31 de março pode ser alcançado a partir do cume do próprio Neblina através de uma crista que liga as montanhas em pouco mais de 600 metros. No entanto vale lembrar que após conquistar os dois cumes a missão ainda não estará cumprida. É preciso voltar, em extenuantes 4 dias pelo mesmo caminho, até São Gabriel da Cachoeira. Se não conseguir vislumbrar a paisagem lá do alto, ao menos, o perrengue estará garantido.

3ª - Pico da Bandeira – Serra do Caparaó – MG/ES - 2.891 m

A mais acessível entre as grandes montanhas brasileiras, já foi considerada a maior do país. No século 19, D Pedro II determinou que cravassem uma bandeira do império dando origem ao nome, onde seria, supostamente o ponto culminante do Brasil. Quase dois séculos depois, essa marca foi desmistificada, no entanto, a imponência de sua forma e a grandiosidade das montanhas na divisa dos dois estados, Minas e Espírito Santo, nos revela um país em sua face menos conhecida. Bem próximo ao litoral Capixaba, a serra do Caparaó, que é uma ramificação da serra da Mantiqueira, inspira aventureiros a embrenhar-se pelos escarpados e despenhadeiros na busca pela imensidão vista do cume. O parque nacional do Caparaó, que foi criado no início da década de 60 é uma das áreas de mata atlântica mais representativas do território capixaba, formado também por campos de altitude. A região foi palco da guerrilha do Caparaó, um movimento armado de esquerda que desafiou o regime militar no final da década de 60, sendo desmantelada no ano seguinte do seu surgimento. No entanto, é de calmaria que se inspira os moradores mais próximos, onde a vida das pessoas continua a mercê dos costumes do passado e da tranqüilidade do interior. A ascensão ao Pico da Bandeira é feita por trilha tecnicamente fácil, onde não é necessário o auxílio de cordas, porém, o desnível é evidente. A trilha pode ser vencida pelas primeiras horas da madrugada, para ver o nascer do sol do alto do cume, quando os primeiros raios atingem a cadeia montanhosa e justificam todo o esforço num espetáculo único em um dos pontos culminantes do país. A jornada começa a partir de Tronqueira, último ponto de carro seguindo para o Terreirão à 4,5km de distância, onde pode-se acampar. De lá ataca-se o cume por trilha bem marcada, sinalizada com setas amarelas pintadas na rocha que dão a direção. Para quem optar pela subida noturna, é indispensável o acompanhamento de guia, pois a sinalização é ocultada pela escuridão. Lanterna frontal (de cabeça), e pilhas sobressalentes são itens obrigatórios para a subida. Força de vontade e um bom preparo físico são indispensáveis. O frio também é um fator considerável, pois a temperatura atinge facilmente marcas negativas e as rajadas de vento fazem da empreitada algo desconfortável e extenuante.

4ª - Pico do Calçado - Serra do Caparaó – MG/ES - 2.849 m


No Maciço do Caparaó, em outro escarpado da mesma montanha do Pico da Bandeira, encontra-se o Pico do Calçado. Há quem diga que a montanha é um cume secundário da mesma montanha, separados por uma caminhada de 15 minutos sobre uma aresta que liga os dois picos. Do cume se avista o Pico do Cristal, um dos mais belos do país. O parque é um dos mais visitados do Brasil e é cortado por trilhas que permeiam os gigantes de pedra. Até 2004 o Pico do Calçado não constava entre os 10 maiores picos do país, somente após a nova medição feita pelo IBGE, no projeto “Pontos culminantes do país” a nova medida foi aferida, colocando o Pico do Calçado em 5° lugar. É claro que essas medidas serão refeitas, e a nova lista provavelmente mudará a ordem das coisas. Já existem estudos que remetem outros cumes ainda não nomeados a lista das grandes montanhas brasileiras. Por tanto, independentemente da sua ordem numérica, o Calçado figura a extensa cadeia de montanhas, no ponto mais elevado do Sudeste brasileiro, e sem dúvida em um dos mais belos.

5ª - Pedra da Mina – Serra Fina – MG/RJ/SP - 2.798 m

Uma trilha complicada, em um dos lugares mais inacessíveis da Mantiqueira. A Pedra da Mina integra o maciço da Serra Fina, que guarda em seus caminhos intrincados uma das travessias mais difíceis do Brasil. Existem algumas trilhas para se atingir o cume. O primeiro caminho aberto, foi pela cidade de Passa Quatro MG, na fazenda Serra Fina, num bairro conhecido como Paiolinho. Além dessa rota existem outras 3, uma pela Toca do Lobo, saindo da mesma cidade, outra por Itamonte através da fazenda Engenho da Serra, e ainda, uma menos conhecido saindo da cidade de Queluz. Optamos por fazer a trilha pioneira. O caminho começa por entre árvores altas em meio a mata fechada, passando por alguns riachos, seguindo sempre para o alto. Vale lembrar que as previsões climáticas são imprecisas nas alturas, pois a montanha dita a lei que rege o tempo por ali. A subida se encorpa e aos poucos, afloram-se rochedos que dominam a paisagem. Nesse momento entra-se nos campos de altitudes, e o caminho não dá trégua, a escassez de água torna a jornada ainda mais extenuante. A vegetação é composta por florestas ombrófilas mistas, localizadas acima dos 1000 metros de altitude e vegetação de altitude. O clima se caracteriza por verões bastante úmidos e curtos períodos de seca. Mesmo para montanhistas experientes, um GPS é de grande valia, já que os nevoeiros são constantes, e as referências visuais se perdem entre a atmosfera brumosa, atrapalhando a navegação. Seguindo os totens que marcam o caminho, e após vencer o aclive abrupto, avista-se o grande cume com seus 2797m. Até o ano 2000, a Pedra da Mina era considerada, oficialmente, mais baixa que o Pico das Agulhas Negras. Após nova medição, realizada através de uma expedição de dois dias, feita por pesquisadores do departamento de Geografia da USP, a montanha passou a ser considerada a 4ª montanha mais alta do País e a mais alta da Mantiqueira, superando a vizinha Agulhas Negras. No cume da montanha a vegetação é formada unicamente por espécies herbáceas e arbustivas, adaptadas às baixas temperaturas e aos ventos constantes.

Uma boa opção, é acampar no topo, apesar do frio. Pela noite a temperatura, seguida de ventos, despenca, mas nada que atrapalhe uma boa conversa ao redor das barracas. Uma dose de rum ou um gole de vinho também é uma boa opção para espantar o frio. É possível avistar as luzes de dezenas de cidadezinhas ao redor. Pela manhã, o nascer do sol contrasta as paredes de pedra dos vizinhos gigantes de Itatiaia, e faz da Pedra uma das vistas mais impressionantes da Mantiqueira.

6ª - Pico das Agulhas Negras – Parque Nacional Itatiaia –RJ - 2.792 m

Grandes lanças sulcadas na pedra irrompem o horizonte na forma de agulhas negras apontando para o céu. A beleza de suas formas esculpidas pela ação dos ventos e a imponência de sua altura chamam a atenção de quem visita a parte alta do Parque Nacional do Itatiaia, o mais antigo do Brasil. Existem duas trilhas mais utilizadas para se chegar ao cume do Pico das Agulhas Negras, a “Via Pontão”, mais fácil e usada pela maioria das pessoas, e que assim mesmo exige bom preparo físico, equilíbrio e uma boa porção de coragem para vencer o último trecho. É preciso atravessar agachado por pequenos corredores espremidos entre as pedras, e pendurar-se em agarras de rochas para vencer os últimos metros. Para assinar o livro, que está em outra torre de pedra próximo ao cume, é preciso vencer um abismo, que a separa do pico com o auxílio de corda, e escalar um trecho íngreme e escarpado para atingir a caixa metálica que resguarda o livro de assinaturas e que está postada no cume oficial da montanha. Uma outra via, menos usual e mais técnica é conhecida como “Via Útero”, subindo por uma grande fenda rumo ao cume. No entanto a montanha possui várias vias para os escaladores mais ousados e algumas rotas que nem foram conquistadas ainda. Do cume avista-se o maciço das Prateleiras, o Morro do Couto, o vale do Paraíba, o vale do Aiuruoca e mais a frente a Serra Fina, que faz valer o esforço, numa visão de 360 graus. Foi ali, nos gigantes do Itatiaia que, supostamente, surgiu o montanhismo brasileiro e que ainda hoje tem a capacidade de nos revelar muitos segredos.

7ª - Pico do Cristal – Serra do Caparaó - MG - 2.769 m

Uma montanha de formas perfeitas, assim é definida pela maioria dos montanhistas. A origem do nome pode ser notada em noite de lua cheia. Os cristais de quartzo que afloram na superfície, ganham brilho à luz da lua, em um fenômeno natural de rara beleza. A montanha fica na mesma porção do Pico Calçado e do Pico da Bandeira, compondo o maciço do Caparaó. Porém seu acesso é um pouco mais técnico, passando por trechos expostos e exigindo algumas “escalaminhadas”. Nada que não possa ser vencido com alguma insistência, e um pouco de ousadia. A presença de um guia, para quem não tem muita experiência, é indispensável. A maneira mais prática de se conhecer a montanha é na descida do Pico da Bandeira.
A trilha é um pouco fechada no início, clareando na chegada de um grande platô marcado por totens. Será preciso saltar por entre pedras soltas e usar as mãos para ascender na trilha. Existem 2 rotas conhecidas para o Cristal, para o Calçado e o Pico da Bandeira. A trilha Capixaba menos frequentada, e a mais usual, por Minas Gerais.

8ª - Monte Roraima – Parque Nacional do Monte Roraima (RR) – 2.734 m

Diante dos olhos, pairam soberanos os Tepuis, grandes montanhas com os topos aplainados em forma de platô. Composto por um dos cenários mais antigos e exóticos do planeta, o Roraima faz parte dessa cadeia de montanhas, e está situado no extremo norte, entre o Brasil a Guiana e a Venezuela. Na realidade, do grande cume com cerca de 90km² , apenas 10% está do lado brasileiro, e para subi-lo, é preciso atravessar a fronteira para a Venezuela, já que os grandes paredões de arenito são inacessíveis para nós, simples mortais. Porém, há registros de escaladores que enfrentaram dias de expedição, escalando e dormindo pendurados nos rochedos para vencer a grande muralha vertical, de 1000 metros de altura em sua natureza friável. A jornada começa, à partir da aldeia indígena Parai-Tepui, e pode durar de 5 a 8 dias, dependendo do roteiro. Para se alcançar a outra borda e conferir o lado brasileiro, é preciso escolher o roteiro mais longo. Caminha-se no primeiro dia, cerca de 4 horas até o acampamento do Rio Tek, aos pés do Monte Kukenán.
O segundo dia de caminhada começa após a travessia do rio Kukenán. É uma ladeira interminável, que aos poucos vai se acentuando. A extensão a percorrer é menor, mas a subida dura é o único caminho a seguir, até se alcançar o sopé do monte.
No terceiro dia, é preciso encarar a rampa do Roraima, como é conhecida. É um aclive no sentido real da palavra, projetando-se sobre o flanco da escarpada parede alaranjada. Trata-se da única via para o cume, um degrau formado pelo desmoronamento das camadas mais superficiais de arenito, compondo uma grande escada de pedras soltas. A alternativa foi descoberta pelo botânico inglês Everard Im Thurn, consagrado como o primeiro a pisar no topo, em 1884, após muitas tentativas ao redor do tepui. Os relatos de Im Thurn inspiraram o escritor Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, a escrever O Mundo Perdido.
Já no topo da montanha, a atmosfera misteriosa rouba a cena, estimulando a imaginação diante de ‘gigantes de pedra’ que se espicham até as nuvens. Como sentinelas metamórficos, aqueles mesmos rochedos testemunharam o Período Jurássico e assistiram ao lento afastamento da América do Sul em relação à África, após a cisão do antigo super continente denominado Gondwana. Os hotéis, como são chamados pelos índios, são abrigos ou cavernas de pedras que servem como proteção da chuva e dos ventos. As plantas formam pequenos jardins, agarrados ao substrato pobre e ralo na superfície das rochas. São populações únicas de plantas carnívoras, orquídeas e bromélias, muitas delas exclusivas daquele ambiente. O primitivo tepui nos leva, definitivamente, a outra dimensão. Entretanto o caminho até o lado brasileiro é longo. Passa-se por El fosso, enigmática depressão sobre o platô, com um grande e profundo poço embutido, onde o chão desaba subitamente. Mais adiante chega-se a tríplice fronteira. O marco indica o lado brasileiro que se deve seguir. A partir dali, pisa-se em terreno pouco explorado, rumo ao desconhecido, já que a maioria das pessoas voltam a partir do marco fronteiriço. Segue-se por trilhas pouco visíveis até o hotel Coati, já no lado brasileiro. É uma caverna singular, esculpida pela água e pelo vento, que foram sulcando pacientemente as paredes e compondo formas diversas na rocha.
Em sua arquitetura excêntrica, forjada por milhões de anos, o tepui termina, ao Norte, com uma incrível saliência pontiaguda, semelhante à proa de um barco. Para se atingir o extremo norte do monte, é preciso vencer uma seqüência impressionante de grandes rochas e algumas gretas profundas, essa face é quase inacessível. Mesmo depois da conquista do topo por Conan Doyle, ainda levou quase um século para exploradores e aventureiros atingirem tal ponto. A façanha foi realizada em 1973 por uma equipe de alpinistas britânicos, liderados por Joe Brown.
Os tempos são outros, e apesar do aumento frenético de turistas que buscam as antigas trilhas dos índios que reverenciavam o Deus Macunaíma, os mitos ainda ecoam nos vales que entremeiam os tepuis, seja nas lendas vividas pelos pemons, ou na introspecção a que o monte nos remete. Revelando-nos um encontro com o próprio ser e com a origem da vida.

9ª - Morro do Couto - Parque Nacional Itatiaia - MG/RJ - 2.680 m

Criado em 1937, o parque Nacional do Itatiaia possui duas portarias que separam a mesma área demarcada em dois ambientes distintos. Na parte baixa, árvores centenárias e vegetação típica de mata atlântica compõem a reserva repleta de cachoeiras e poços ideais para banho, no entanto é na parte alta que se concentra a aventura, a paisagem muda, e as matas dão lugar aos campos rupestres compostos por rochedos de formas variadas e vegetação rasteira que espreitam as grandes montanhas dessa porção extremamente fria do país, que já esteve coberta de neve mais de uma vez.
O Morro do Couto é a primeira montanha que se alcança a partir da portaria do parque, e pode ser vencido em duas horas de caminhada fácil. A montanha é freqüentada por muitos escaladores em busca das diversas vias com variados graus de dificuldade. Outra rota para se atingir o cume, é saindo do Pico das Prateleiras e seguindo pela crista da montanha até o alto. Do topo tem-se uma vista incrível do Pico das Agulhas Negras e da Serra Fina. Apesar de ser um dos parques mais visitados do país, ainda existem várias trilhas inexploradas e vias a serem conquistadas.

10ª - Pedra do Sino de Itatiaia – Parque Nacional do Itatiaia – 2.670m

Em meio a paisagem de formas exóticas, no parque nacional do Itatiaia, que significa “Pedra Cheia de Pontas” em Tupi, encontramos uma montanha pouco conhecida no cenário de um dos parques mais visitados do Brasil. Trata-se da Pedra do Sino, com seus 2670 metros. É o terceiro ponto mais alto do parque e está entre as 10 montanhas mais altas do país. Existem várias rotas para se atingir o cume, mas nenhuma delas está bem marcada, devido a pouca freqüência de visitas. A trilha mais conhecida se estende por 12 km, e é preciso subir pela Pedra do Altar, bem próximo ao cume, e descer até a base da Pedra do Sino para, enfim ascendê-la. Por tanto, se trata de uma das ascensões mais extenuantes do parque, tendo que vencer o grande desnível por duas vezes, para se atingir o cume. Suas formas arredondadas no topo, faz com que a montanha se pareça à um grande sino sobreposto ao platô. O desafio físico e a ausência de turistas pelo caminho valem a escolha.

11ª - Pico dos 3 Estados – Serra Fina – 2.665m

A respiração ofegante dita o ritmo, na Serra Fina não existe caminhada leve. Para se atingir o pico dos 3 estados, localizado exatamente no marco geográfico que divide Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, é preciso vencer o desnível dessa porção extremamente irregular da Serra da Mantiqueira. A origem do nome, Mantiqueira, que em Tupi significa “Montanha que Chora”, parece não fazer muito sentido nessa região, pois a ausência de água é evidente, fazendo dessa jornada algo ainda mais complicado. Após caminhar horas pela crista da Serra Fina, atinge-se a base da montanha que se espicha em um trecho muito íngreme que leva ao topo. O uso das mãos é inevitável projetando o corpo para cima das rochas e ajudando na ascensão. No cume, é possível caminhar pelos três estados circundando o marco do topo. A diversidade endêmica da vegetação encontrada pelo caminho, o desafio físico, a vista privilegiada do cume e a possibilidade de estar nos três estados brasileiros faz dessa caminhada. Em cada cume, e em cada montanha conquistada nos parece possível alcançar o céu e estar mais perto de algo maior, que nunca conseguiremos mensurar apenas sentir. O vento, as nuvens, a natureza e a nossa presença diante dela.


06/10/2009 - 10h53 - Matéria publicada na Revista Aventura & Ação n°153
Visite o site do Fotógrafo André Dib - www.andredib.com.br
Luciano Ribeiro



Travessia Petrópolis x Teresópolis - Parque Nacional da Serra dos Órgãos - RJ -

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos é o terceiro parque nacional mais antigo do Brasil. Foi criado em 30 de Novembro de 1939 pelo então Pr...