terça-feira, 27 de março de 2012

Como evitar as indesejadas bolhas nos pés em suas caminhadas.

Muitos não dão aos pés a importância que eles merecem. Em primeiro lugar, não somos nada sem nossos pés. Sem eles não tem caminhada, não tem mochilada, não tem visual.

Uma das coisas mais importantes para uma caminhada tranquila e prazeiroza é fazer com que seus pés estejam bem, proporcionando um excelente passeio.
Eu tenho pés muito sensíveis e as bolhas me perseguem sempre que faço uma caminhada mais longa. Já tive que percorrer longas distâncias com bolhas incômodas e doloridas que me atormentaram durante e após a caminhada. Depois de muito pesquisar, resolvi dividir esse conhecimento com vocês. Afinal, pés saudáveis não encontram limites!

Algumas dicas para você aproveitar melhor sua viagem/caminhada e retornar dela com os pés saudáveis:

1) Cuidar bem dos seus pés nas vésperas é essencial
Não force seus pés com sapatos apertados e posições desconfortáveis no trabalho. Nas vésperas de sua caminhada, planeje bem para que seus pés estejam intactos e relaxados no dia da partida. Antes de sair de casa, certifique-se de que seus pés estejam limpos e bem acomodados na sua bota/tênis.

2) Invista numa bota/tênis confortável e de qualidade
Dependendo do terreno, é necessário que você utilize calçados de solado mais firme, para que seus pés não fiquem se entortando pelo caminho quando você pisar em pedras, raízes e buracos. Se isso acontecer, é provável que você se canse muito mais rápido e não aprecie o passeio como poderia. Os solados firmes evitam também as torções, dores nas costas e pernas.

3) Botas impermeáves, mas respiráveis
Mais uma observação importante na hora de comprar a sua bota é certificar-se de que ela “respira”. Você precisa fazer o dever de casa e se informar se os modelos disponíveis ou os que você deseja são realmente respiráveis. Para isso, conte com a experiência de aventureiros mais experientes que você. Pesquise em fóruns, blogs e sites de opinião sobre os modelos que estão na sua pauta. Se o calçado não deixar seus pés respirarem, você vai ganhar bolhas e muito desconforto. Afinal, a umidade precisa sair. Os modelos atuais comumente utilizam a tecnologia Gore Tex que não deixa a umidade entrar, mas a deixa sair.

4) Cuidado com o tamanho do calçado
Seu calçado deve estar confortável. Isso significa que ele não pode estar justo e nem largo demais. Quando for comprar seu calçado para caminhada, leve em consideração as descidas, ocasião onde os pés são forçados para a frente. Considere também que, com o esforço, nossos pés tendem a inchar um pouco, levando o que está apertado a ficar arrochado. Mas não caia no erro de comprar um número maior. Experimente o calçado e avalie. O ideal é que seus dedos não fiquem colados no bico do calçado, evitando que você ganhe de presente algumas unhas roxas, dedos doloridos e bolhas quando for fazer descidas.

5) Amarração
Parece coisa boba, mas a amarração faz uma diferença muito grande na hora de evitar bolhas. É importante que seu tornozelo fique bem firme na parte de trás do calçado, evitando que escorregue para frente entrando em atrito em diversas partes do seu pé. Existem diversas maneiras diferentes de amarrar seu calçado. Veja qual a melhor para o seu caso e faça-a bem firme, veja algumas formar de se amarrar sua bota neste video.

As meias de algodão encharcam facilmente e seguram a umidade. Com as meias úmidas, a pele amolece e permite que a fricção cause bolhas. Então, meia de algodão para caminhadas, nem pensar!

Você não quer meias que tenham sequer 1% de algodão.

7) Abuse das meias de lã ou tecido sintético
São as melhores. Existe atualmente uma ampla variedade de meias para todos os gostos e bolsos. Minha sugestão são as de lã merino. Elas são confortáveis, absorvem rapidamente o suor e o expelem com mais facilidade do que o algodão e alguns outros tecidos. Geralmente são meias importadas e o custo x benefício delas é excelente. Sua durabilidade é maior e são projetadas especificamente para trazer conforto aos aventureiros caminhantes. Os fabricantes nacionais comumente colocam algodão na fórmula, o que já vimos que não é legal. Até mesmo no verão, essas meias são uma boa pedida. É só você verificar na hora da compra a grossura da meia. Costumam ser classificadas como light hiker, heavy trekker, duplas, triplas e por aí vai. O fabricante também costuma indicar o tipo de uso que mais cabe àquela meia. Pesquise bem, as opções são muitas.

8) Liners – quando usá-los
Os liners desempenham um papel de grande importância para o pessoal que faz caminhadas mais longas e com meias mais “pesadas”. Muitas vezes as meias mais grossas irritam, ou “lixam” os pés dos montanhistas pela sua constituição. Para resolver esse problema, existem os liners, que são meias bem finas e de material que permite a evaporação muito rápida. Evitam o contato da pele com meias mais ásperas e facilitam a transpiração, expelindo a umidade para a segunda meia. É comum você tirar a bota e verificar que seu liner está seco e sua meia, molhada.

9) Esparadrapos como prevenção
Se você possui pés muito sensíveis ou pontos de fricção já conhecidos nos seus pés, tente isolá-los com pedaços de esparadrapo. Mas cuidado para não deixar que o exparadrapo embole ou faça um recorte em cima de um ponto de fricção. Se não, seu pesadelo será muito pior. Se você já tiver uma bolha, não use esse método pois quando extrair o esparadrapo, a pele solta virá junto, abrindo uma ferida.

10) Pomadas e vaselina
Algumas pessoas fazem uso de pomadas ou vaselina para evitar os pontos de atrito. Eu particularmente não gosto, mas é uma opção se você quizer fazer o teste. Mas cuidado para não lambusar os pés, pois o resultado é desastroso. Seus pés ficarão sambando dentro do calçado, criando cada vez mais problemas. Passe um pouco somente nos locais de maior atrito. Esse métdodo é mais usado por pessoas que têm bolhas entre os dedos e em locais onde o esparadrapo não cola bem.

Se a bolha aparecer, calma!
Se mesmo com todas essas dicas, as bolhas apareceram e ameaçam transformar seu passeio em um pesadelo, calma. Vamos ver algumas coisas que você pode fazer para minimizar o problema:

- Não estoure a bolha de qualqer maneira. O ideal é que você tenha agulha fina esterilizada ou esterilize-a na hora, furando a bolha e costurando-a com uma linha, também fina, para que a pele não cole e se encha de fluido novamente.

- Jamais tire a pele solta. Você criará uma ferida extremamente dolorida e com maior risco de contaminação.

- As pomadas ajudam na cicatrização mas não curam de um minuto para outro. Então, em alguns casos, é melhor voltar antes da hora do que sofrer por dias a fio.

- Se voltar não for uma opção, coloque um pequeno pedaço de gaze exatamente em cima de onde a bolha se formou e isole tudo com um pedaço grande de esparadrapo. Certifique-se de que o esparadrapo não vai soltar no local de fricção e que não haja costuras e dobras nele. Isole uma área bem maior do que a área da bolha.

- Se a bolha estiver suja de lama ou algo semelhante, desinfete-a antes de fazer qualquer curativo e limpe seu calçado por dentro antes de voltar a caminhar.

Seus pés precisam de descanso!

Lembre-se que durante a caminhada, especialmente as mais longas, você precisa parar algumas vezes para tomar fôlego, beber um pouco dágua e recuperar as energias. Seus pés também precisam. Nas suas paradas para descanso, tire o calçado, deixe os pés respirar e coloque suas pernas para cima. Ao invés de colocar a mochila como encosto para a cabeça, coloque-a como suporte para que suas pernas fiquem um pouco mais elevadas do que o resto do seu corpo, fazendo o sangue circular melhor pelo seu corpo, reestablecendo o equilíbrio e facilitando o descanso.

Com essas dicas, espero que você se livre definitivamente das bolhas e faça boas viagens!

Fonte: www.viagenseandancas.com.br

Dicas para carregar uma boa alimentação na mochila

Quando caminhamos com sobrecarga, isto é, com uma mochila cargueira nas costas, o exercício realizado pode ser considerado como de média a alta intensidade e longa duração, considerando um percurso de no mínimo dois dias. Temos algumas variáveis, mas dependendo da aptidão física de cada um e as condições do terreno, o exercício terá as características acima.

A alimentação para um exercício deste tipo então deve ter uma composição balanceada, levando em conta sua praticidade e volume, devido a otimização do espaço e peso conferido a sua mochila. A idéia aqui é ajudar a elaboração de um cardápio prático que sirva tanto para experientes caminhantes quanto para os iniciantes. Durante um percurso de dois ou mais dias, na composição do alimento devem predominar os carboidratos 60 a 70%, completados com gorduras 20% e proteínas 10%. Os nutrientes não energéticos, isto é, sais minerais, vitaminas e água completam a lista de necessidades de nosso organismo e devem ser fornecidos através da alimentação normal sem a necessidade de complementos especiais, do tipo complexos vitamínicos e minerais.

A água, por sua vez, não pode faltar durante toda a caminhada, lembrando porém que mesmo o exercício sendo muito pesado não se deve beber mais do que 800 ml de líquido por hora de atividade, pois o estômago não consegue absorver mais do que isso neste período.

Os carboidratos são fundamentais para recuperar e manter os depósitos iniciais de energia de nosso corpo, fazendo com que a fadiga muscular não apareça precocemente durante o exercício. Um bom exmplo são pães, massas, barras energéticas especiais para esporte. Evite alimentos gordurosos, condimentados e com muito açúcar, algum tempo antes e durante a trilha. Os primeiros dificultam a digestão e causam gases podendo causar algum desconforto e diminuir o rendimento.

Os alimentos do tipo bolos, chocolates e doces em geral causam um aumento da resposta insulínica e acabam reduzindo a disponibilidade de glicose sanguínea, reduzindo assim o desempenho. Durante o exercício, o consumo de glicose pode ser feito através de alimentos especiais tipo gel ou, melhor e mais barato, frutas secas ou in natura. A absorção da frutose pelo organismo é mais lenta diminuindo assim a resposta insulínica imediata.

Durante o percurso, o aumento do consumo de carboidratos deve ser no jantar, devido ao tipo de alimento preparado, podendo ser um macarrão ou purê de batatas com complementos. O amido contido nas massas, batata e cereais, por exemplo, recebem o nome de polissacarídeo vegetal. São muito importantes na dieta de um ser humano, devendo esta ser a principal fonte de carboidrato do total ingerido. A fibra alimentar é o outro tipo de polissacarídeo vegetal.

Após o término do dia de caminhada, a alimentação pode e deve ser mais completa. É muito importante preparar um alimento quente no jantar e no café da manhã, principalmente em locais frios. O corpo reage melhor a isso, possibilitando uma melhor recuperação.

Nota do editor: o texto desta coluna não reflete necessariamente a opinião do Blog Aventura na Veia, sendo de única e excluiva responsabilidade de seu autor.

Fonte: 360graus.com.br
Aut
or: Carlos Vageler


sábado, 18 de junho de 2011

Navegando em montanhas com o Google Earth

O ano é quase 2010 e os carros ainda não voam e ninguém tem uma arma laser… Em contrapartida, outras coisas como a topografia evoluiram muito. Mais longe do que poderia ser imaginado há 20 anos, hoje em dia, qualquer cidadão que tenha um computador e acesso à internet pode acessar um modelo virtual 3D da terra inteira. O mais inacreditável é que é grátis!

Texto: Maximo Kausch

Há cidades, como por exemplo Westport na Irlanda, que está inteira feita em 3D. Você pode visitá-la virtualmente… Interesante não? Não, claro que não! Se você está lendo isto, está preocupado com as montanhas e não quer saber sobre cidades da Irlanda…

Pois bem. Montanhas também estão mapeadas em 3D, algumas bem, outras mal, outras são péssimas. O que importa é que elas estão lá e você pode usar essa ferramenta para planejar a sua expedição, ou pode simplesmente pegar uma rota de alguém que já esteve lá... Os resultados chegam a impressionar.

O Artigo não vai tratar de como usar um GPS, nem como usar uma bússola. Não deixe de ler o completo artigo escrito por Pedro Hauck,
As maravilhas do GPS, onde você econtrará muitas informações sobre interfaces com GPS, mapas para GPS, informações sobre cartas topográficas e diversos links muito úteis. Adicionalmente, você pode ler o meu artigo sobre a utilização de bússolas:Navegando com bússola.

Abordaremos aqui as principais perguntas e problemas que você encontrará quando estiver mapeando uma montanhas.

Sobre o Google Earth e seus mapas


O antigo Earth Viewer da empresa americana Keyhole Inc. foi adquirido pela Google em 2004 e evoluiu muito desde então.

Quando estamos vendo uma montanha 3D no Google Earth, estamos na verdade lidando com dois tipos de dados diferentes que custaram muito suor (e muito dinheiro) a muitos astronautas e cientistas. Primeiramente, as imagens propriamente ditas, vem de um imenso banco de dados que começou a ser adquirido pelo programa Landsat, com resolução relativamente baixa, e é constantemente atualizado com imagens de satélites de melhor resolução óptica para maior riqueza de detalhes. O banco de dados Landsat possue resolução de 15 metros por pixel, e as imagens são geralmente superpostas por imagens de um dos satélites SPOT da agência espacial francesa, que têm 2.5 metros por pixel de resolução. Outros satélites também são usados nesta troca, chegando ao absurdo de 20 centímetros por pixel, como é o caso de Hamburgo, onde você pode ver a cor da roupa que as pessoas estão usando na rua!

Em segundo, a parte 3D do Google Earth - que é na verdade um modelo de elevação virtual muito, mas muito complexo - começou a ser adquirido no ano 2000 durante uma missão da Endeavour que durou 11 dias. O projeto foi chamado SRTM (Shuttle Radar Topography Mission) e formou o banco de dados para o modelo 3D. Este também recebe constantes atualizações adquiridas através de sensoriamento remoto, trabalhos de campo, etc.

Devido a muitos problemas que veremos mais abaixo no artigo, e principalmente ao fato da Terra ser redonda, os dados podem conter erros ou serem aproximados. No caso das fotos satelitais, podem não ter a resolução desejada, ou podem estar tampadas por nuvens por exemplo, no caso dos modelos 3D, há uma série de problemas que podem surgir durante a obtenção de dados.

O que importa para o montanhismo


No montanhismo o que nos importa é o fato de podermos planejar uma rota numa montanha ou trilha, passá-la para o GPS e ir fisicamente à montanha com um GPS que nos indique o caminho que marcamos virtualmente. Ou mesmo, podemos pegar os dados de alguém que esteve lá com um GPS e usá-los na navegação. Abordaremos os dois jeitos:

Adquirindo dados


Você pode pegar os dados de um GPS através de um cabo ligado ao seu computador ou pegar os dados de alguém, seja emprestando, roubando ou qualquer outro jeito que você imagine. A sua maior chance está certamente aqui na internet. Você pode procurar os dados no próprio Google Earth digitando o nome do local desejado. Procure pela extensão KML ou KMZ, pois é possível que estas sejam as rotas desejadas.

O buscador Google também pode ser uma boa ferramenta. Na janela do buscador, digite:

(inurl:kmz | inurl:kml) “kml xmlns” “local-desejado”


A linha retornará arquivos KMZ e KML. Há que se ter muito cuidado com os dados adquiridos pois estes podem conter uma série de erros.

Uma vez adquirido o mapa, você pode adaptá-lo às suas necessidades e enviá-lo ao seu GPS. Para isso o seu GPS deve ter vindo com um CD que faz com que ele possa ser lido pelo computador. Caso contrário você pode usar um programa genérico.

O AltaMontanha.com estará publicando 70 rotas de montanhas em muito breve...

Georeferenciando dados


Georeferenciar algo, é dizer onde esta coisa está na vida real. Podemos georeferenciar fotos, dizendo onde elas estão no Google Earth por exemplo, você pode georeferenciar uma trilha, uma estrada, um acampamento, ou qualquer coisa que você precise saber quando estiver no lugar.

O Google Earth tem ferramentas bem simples para esta tarefa. Assumindo que a imagem satelital esteja bem georeferenciada (leia sobre os possíveis problemas com isto mais abaixo), você pode mapear um lugar que conhece bem. Veja o exemplo:


Usar as ferramentas do Google é extremamente simples e eu não vou descrever tudo isso aqui. Há porém 2 coisas bem básicas que você vai perceber que não podem ser feitas:

Medindo rotas e caminhos


O Google Earth não oferece uma opção para medir rotas que você criou, e às vezes isso é extremamente necessário no mapeamento de trilhas e estradas. Existem diversas ferramentas feitas por terceiros para esse tipo de atividade. Eu uso um conversor online que calcula a distância em KM pelo código do arquivo KML. Siga os passos:

1 – Salve a sua rota(s) em um arquivo KML
2 – Edite o seu KML no bloco de notas
3 – Marque todo conteúdo e digite Ctrl+C
4 – Entre em http://www.emaltd.net/google/gec/utilities/index.asp?l=en

5 – Na janela, cole o conteúdo apertando Ctrl+V

6 – Clique em “Calculate”
7 – A distância de cada rota será exibida antes do nome da própria


Juntando rotas


Juntar 2 ou mais rotas diferentes é também algo muito básico que com certeza será possível de ser feito um dia no Google Earth, mas no momento não é. Eu encontrei a solução editando o KML manualmente, copiando e colando o conteúdo das coordenadas da rota depois do outro:

1 – Salve a sua rota número 1 e a sua rota número 2 como arquivos KML
2 – Edite a rota número 2 no bloco de notas e procure por ''
3 – Marque todos os números que você encontrar entre '' e ''
4 – Aperte Ctrl+C
5 – Edite a rota número 1 no bloco de notas
6 – Encontre e cole todo o conteúdo (Ctrl+V) ANTES de ''. Certifique-se de que haja um espaço em branco entre as rotas que você colou.
7 – Salve o seu arquivo KML e abra no Google Earth. As suas rotas deveriam aparecer como uma só

Publicando o seu trabalho


Uma vez que o seu trabalho foi feito, você pode publicá-lo para que todo mundo que tem Google Earth possa vê-lo. Você pode simplesmente mandar o arquivo KML ou KMZ para as pessoas que desejar ou pode publicá-lo na comunidade Google Earth. O seu arquivo será lido pelo servidor e pode demorar algums dias para ser publicado.

Para fazer isso no Google Earth, você deve selecionar a raiz do seu projeto, clicar em arquivo e então em share/post. Você vai precisar uma conta no site da Keyhole.

Outra forma de fazer isso é salvando os dados por FTP em algum site de internet e colocar a URL dos dados AQUI

Problemas


O objetivo de listar os problemas que encontrei com o Google Earth não é tirar o encanto do programa, mas sim o de ligar o seu simancol para que você não confie cegamente no que o GPS diz.

Quando se trata de um modelo 2D é relativamente fácil referenciar uma imagem. Você simplesmete teria que dizer ao Google Earth qual a latitude e longitude dos cantos da figura e só teria alguns centímetros de distorção, dependendo do tamanho dela.

Com modelos 3D no entanto a coisa é bem diferente. As fotos são tiradas do espaço por satélites que estão a 20 ou 30km da superfície. Deste ponto de vista há um grande problema de distorção quando a imagem foi tirada por uma câmera 2D e mais tarde será 'moldada' sobre um modelo 3D. As laterais de uma montanha ou um vale por exemplo, tem um tamanho diferente quando você olha eles de cima. Este é um dos grandes problemas da perspectiva. Existem diversos programas para adaptar e evitar este tipo de diferença o melhor possível, no entanto existem erros:


Esta é a estrada que leva ao refúgio Chacaltaya na Bolívia. A linha azul foi adquirida pelo GPS de Pedro Hauck em Julho de 2009. Repare que quando a estrada está orientada de norte-sul há uma diferença com a linha marcada por Pedro de 11 metros com o que a foto satelital mostra. Porém, quando a estrada está orientada leste-oeste, a diferença é quase inexistente.

Este é um problema típico com algumas imagens do Google Earth. ISSO NAO QUER DIZER QUE TODAS AS IMAGENS ESTEJAM MAL REFERENCIADAS!!! Neste caso tivemos a sorte de ir lá e poder comprovar que a imagem está mal referenciada. No caso, 11 metros mais a oeste do correto.

Em outro caso, eu ainda não sei dizer qual das duas imagens está mal referenciada:

Neste caso, eu georeferenciei a trilha que leva à base do Huayna Potosi na Bolívia. A imagem que eu usei era a última disponível na época e foi tirada em abril de 2002. Google no entanto atualizou suas imagens mais tarde e nesta a posição da trilha não coincide com a imagem anterior:

Como a base da segunda foto (tirada em novembro de 2005) não está distorcida, mas o topo sim, eu suponho que isso foi por causa da presença de um pequeno acidente geográfico chamado Huayna Potosi (6088m) no qual a imagem teve que ser moldada. Mas fica muito difícil dizer qual das duas fotos está bem orientada sem uma prova de campo.


Este é outro caso clássico:

Esta é a visualização 3D do Google Earth do cerro Vallecitos, na Argentina. Na foto, a crista que leva ao cume está totalmente fora de onde ela realmente é. Ou seja, a topografia do modelo diz que a crista é num lugar, mas a foto satelital diz que está em outro. Na foto, a crista aparece como uma linha branca, que são pequenas cornisas de neve. Observe uma trilha correndo ao longo da crista.


Nestes casos o que GERALMENTE está mal referenciado é a imagem satelital e não o modelo topográfico. Eu estive nesta crista setembro passado e pude medir que a trilha estava referenciada a 118 metros mais a oeste de onde ela realmente era.

Porém não é em todos os casos que o modelo topográfico está correto. Veja este exemplo típico:

Repare que neste caso o lago Yanganuco no Peru sobe na parede 148 metros! E isso não é uma onda… O que aconteceu neste caso é que o modelo 3D foi mal calculado. A margem direita do lago termina justo com a parede que começa a subir, então concluímos que o problema aqui não é a distorção de imagem.


Como foi mencionado acima, o levantamento da topografia do Google Earth foi feito (na maioria do planeta) pela missão espacial SRTM do ano 2000. Os radares usados nesta tecnologia, os SAR (Synthetic Aperture Radar) somente dariam uma altitude exata do local se entrarem perpendicularmente e este não é o caso. Os sinais de radar obviamente insidiram no vale obliquamente e parte dele provavelmente foi refletida nos cumes mais altos do lado direito do vale. É possível até calcular qual foi o ângulo onde a aeronave estava posicionada. Você vai observar muito este tipo de erro na parte baixa de vales muito profundos.

Outro problema com estes sinais de radar é que eles são muito grandes. Em acidentes geográficos grandes e arredondados como o vulcão Sajama na Bolívia, você pode ter um modelo 3D bastante fiel da realidade, porém, em acidentes geográficos menores, como as relativamente pequenas torres da região do Cerro Catedral, na Argentina, a coisa fica bem diferente:

Neste caso, o tamanho da onda de radar foi grande demais para as torres rochosas e acabou gerando uma média de altitude das várias torres. O modelo 3D acabou ficando muito pobre em detalhes e quem já esteve neste local sabe o quanto as torres são impressionantes. No Google Earth, o único fato que nos demonstra que existem as afiadas torres ali são as sombras da foto. Por sorte, esta foi tirada bem cedo e deixou grandes sombras:

Este tipo de problemas são constantemente corrigidos pelo Google. Há que lembrar que existem centenas de montanhas na Terra e que algumas não podem ter a importância econômica que outras tem.


As correções podem ser feitas de 2 formas. Na primeira e melhor, a correção é feita usando-se uma tecnologia mais precisa e atualizando o modelo no banco de dados. Este é o caso do Matterhorn na Suíça:

A outra forma é fazendo uma “gambiarra”, construindo um modelo 3D, assim como os edifícios 3D do Google Earth são feitos. O Pão de Açúcar no Rio de Janeiro é um exemplo:

Na foto de cima você pode reparar como fica o “prédio 3D” construído. Na foto de baixo, você pode reparar na pobre topografia que foi usada para construir o Rio de Janeiro.


Para fazer as correções de forma correta, assim como foi feito no Matterhorn, as informações são geralmente coletadas por aviões ou mesmo por agrimensores que foram lá na montanha, fizeram as medições e gastaram muito do seu tempo nisso.

Devido a este último fato, o econômico, é de entender que muitas pessoas não disponibilizam o seu trabalho de meses, talvez anos, na internet. Se isso acontecesse teríamos modelos 3D muito mais próximos da realidade do que temos hoje. Minha esperança no entanto, é que aos poucos isso comece acontecer e um dia possamos ver as montanhas como vemos a cabine telefônica de Westport, na Irlanda.

Ética


A ética no uso do GPS é um tanto complicada. Alguns usam o GPS sem nem sequer parar para observar a paisagem e depois de um tempo acabam se tornando dependentes desta ferramenta. Outros julgam anti-ético o uso do GPS numa montanha, pois desse jeito o montanhista estaria facilitando a escalada. E ainda há aqueles que consideram a difusão de pontos de GPS um ato nocivo à natureza, pois isso faria com que mais pessoas tenham acesso a um local que antes não era explorado por falta de informação.

O meu conselho aos que acham o GPS anti-ético é: desligue o GPS e somente ligue em caso de emergência ou mau tempo!

Sobre a questão da natureza, acho totalmente o contrário. Ao ter acesso a mais locais, o montanhista ganhará cada vez mais respeito pela natureza e ele/ela vai acabar difundindo esse sentimento mais do que se não conhecesse o local.

Leia o artigo de Pedro Hauck falando exatamente deste tema

Cuidados


Ao baixar ou georeferenciar pontos de GPS, lembre-se de que estes podem conter alguns dos erros descritos acima, mas acima de tudo lembre-se de que o planeta Terra é uma metamorfose constante e o que foi marcado por GPS ou georeferenciado em um ano pode não estar lá no ano seguinte. Trilhas podem ter sido levadas por rios, cidades ou casas podem ter sido abandonadas, propiedades podem ter sido vendidas e a passagem passou a ser proibida, etc. Posso citar dezenas de exemplos do porquê você não deveria confiar cegamente no que o GPS está indicando.

Em montanhas geladas há que ter muito cuidado com gretas e outros tipos de deformações no gelo, pois estes mudam de ano a ano e talvez de mês a mês. Se você estiver em terreno glaciário, jamais siga ao pé da letra as rotas marcadas.

Não se perca!

Fonte:
www.altamontanha.com
www.aventuranaveia.blogspot.com

Luciano Ribeiro


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Parques Nacionais do Itatiaia e Serra dos Órgãos têm reajuste nos preços

A partir do próximo dia 4 de Abril os Parques Nacionais do Itatiaia e Serra dos Órgãos no Rio de Janeiro, passarão a ter novas tarifas de visitação.

Devido à portaria ICMBio n° 135/2010, os parques nacionais brasileiros poderão reajustar seus preços aos visitantes.

O Parque Nacional do Itatiaia, Unidade de Conservação que abriga algumas das formações montanhosas mais populares do Sudeste brasileiro, como o Pico das Agulhas Negras e Morro das Prateleiras, terá novas tarifas de visitação em 04 de Abril.
Os visitantes em Geral pagarão R$22,00 por dia de visitação, porém, brasileiros tem desconto de 50% e pagam somente R$11,00. O camping que foi reaberto ao lado do Abrigo Rebouças terá uma taxa de R$5,00 e o abrigo passará a ser pago, R$10,00 a diária.

Parque Nacional da Serra dos Órgãos
A partir do dia 01 de março de 2011 teve início a cobrança dos ingressos e taxas conforme a Portaria ICMBio n° 135/2010. Confira abaixo os valores atuais.


Ingresso ***

Utilização de trilhas de montanha, primeiro dia

Montanha, dias adicionais (sábados, domingos e feriados)

Montanha, dias adicionais (2º a 6º feira)

Brasileiros

R$ 11,00 *

R$ 16,50**

R$ 8,25

R$ 1,65

Estrangeiros

R$ 22,00

R$ 33,00

R$ 16,50

R$ 3,30


* Moradores dos municípios de Guapimirim, Magé, Petrópolis e Teresópolis tem 80% de desconto sobre essa taxa (R$ 2,20).
** Membros de clubes excursionistas tem desconto de 50% sobre essa taxa (R$ 8,25).*** Maiores de 60 anos e menores de 12 anos são isentos do pagamento de ingresso.

Estacionamento de veículos (por dia de permanência no Parque) - R$ 5,00

Estacionamento de motos (por dia de permanência no Parque) - R$ 3,00

Camping (cobrado por pessoa, por pernoite) - R$ 6,00

Observações:

1 – Os moradores dos municípios do entorno tem direito a desconto somente na taxa de ingresso para a parte baixa. Além disso, é imprescindível que o visitante apresente comprovante de residência em nome próprio, ou demonstre de maneira clara que reside em um dos municípios.

2 – Membros de clubes de excursionismo têm direito ao desconto de 50 % somente para o primeiro dia de utilização das áreas de montanha.

3 – Têm direito a isenção da taxa de ingresso os menores de 12 anos e maiores de 60 anos. Além disso, esta isenção se aplica somente ao ingresso do visitante e ao estacionamento do veículo em que o mesmo se encontra. Os demais serviços, bem como os ingressos de acompanhantes devem ser pagos normalmente.

4 – O pagamento do ingresso não isenta o visitante do pagamento das demais taxas. O pagamento da taxa de uso do camping também não isenta o visitante do pagamento da taxa de visitação.

5 – As trilhas de montanha serão cobradas por dia. Exemplo: quem for subir e descer a Pedra do Sino em um mesmo dia deverá pagar o ingresso no parque e a taxa de uso da trilha por um dia. Entretanto, se houver um pernoite, o visitante deverá pagar o ingresso mais dois dias de trilha.

6 – Estacionamento disponível somente nas Sedes Teresópolis e Guapimirim.

7 – O visitante que comprove ser titular ou parente em até primeiro grau de beneficiário do programa Bolsa Família será equiparado ao morador do entorno.

8 – O visitante estrangeiro que possua documento de identidade brasileiro ou comprove possuir residência no Brasil será equiparado ao visitante brasileiro.

Antes de visitar o PARNASO é importante conhecer as Regras de Uso Público do PARNASO, bem como algumas normas de conduta consciente em áreas protegidas.

Ingressos antecipados:

A venda de ingressos antecipados é feita apenas nas bilheterias do parque. Os ingressos são vendidos com no máximo 7 dias de antecedência.

Horários:

Todos os dias das 8:00 as 17:00 (todas as sedes)
É permitida a entrada no parque entre 6:00 e 8:00 e entre 17:00 e 22:00 mediante compra antecipada de ingresso nas bilheterias no parque.

Fonte: ICMbio
Luciano Ribeiro

sábado, 5 de março de 2011

As 11 montanhas mais altas do Brasil

André Dib nos presenteia com um cobertura das 11 maiores montanhas brasileiras que com suas diversificadas
paisagens tem instigado aventureiros a percorrerem caminhos por vezes adversos, mas
recompensadores


Desde os primórdios os homens buscam o alto de uma montanha sem um motivo aparente. O que leva as pessoas às alturas de um pico? Superação da condição humana? Transcendência? Ou somente a sensação da conquista? Essas são questões tão antigas como a própria humanidade. A montanha sempre esteve presente no imaginário das pessoas em todas as civilizações, através da mitologia que fundamenta e guia a história dos povos.

O Monte Olimpo era a residência dos deuses para os antigos gregos, e através da mitologia, influenciou diretamente toda a cultura ocidental.

No folclore japonês, as montanhas são sagradas e todas possuem uma atmosfera sobrenatural. O Monte Fuji, por exemplo, seria a passagem para o outro mundo. Na mitologia Taoista, os imortais iam viver no cume dos grandes montes. O Monte Roraima, sustenta a morada do Deus Macunaíma.

Onde existir um pico imponente, marcando a paisagem, foi, ou é, para alguns um lugar sagrado ou a morada de um deus.

O fato é que as montanhas causam no homem perplexidade diante de sua natureza descomunal. Instigam a percepção de seu tamanho, insignificante, ínfimo diante da grandeza do mundo e da natureza que o cerca. A montanha simboliza a ruptura entre os níveis, do racional para o imaginário

que ilustra os sonhos. Faz a ligação entre o céu e a terra.

Para a filósofa Zelita Seabra, O amor à montanha, naqueles que o sentem, tem raízes profundas.

O ritual de preparação, o ato da subida, a busca pela imensidão faz parte do íntimo de muitos indivíduos, que não se contentam apenas à contemplação. É um momento de introspecção, a viagem se interioriza. O sentimento de subir é indizível, o silêncio é rompido pela respiração ofegante. O cume se aproxima!

Por que o ser humano é tomado pela inquietude, por essa ânsia de buscar o encanto no desconhecido?

O Escritor Jon Krakauer, cita as encenações grosseiras em filmes e metáforas banais ao que o tema se presta, no excelente livro “Sobre homens e Montanhas”. Lembra ainda a interpretação equivocada de alguns psicanalistas que nunca romperam os limites de um consultório.

A palavra “montanhismo”, na concepção do público contemporâneo, causa a mesma repulsa da idéia de estar diante de tubarões ou abelhas assassinas. Porém, o êxtase das alturas está ligada ao ser humano, incontestavelmente, como a experiência de algo sublime, que nos permite enxergar e sentir que fazemos parte de um todo muito maior, que nunca vamos compreender.

O Brasil é um país extenso, conhecido por suas belas praias e pela maior floresta tropical do mundo. No entanto, além de dunas, ilhas, rios e florestas, mesmo sendo um lugar de escassas altitudes, existe um Brasil imponente em sua magnitude, e ainda muito pouco conhecido.

As montanhas brasileiras são excessivamente baixas, se comparadas aos grandes picos andinos que

ultrapassam os 6 mil metros, ou os gigantes nevados do Himalaia, que se espicham a mais de 8 mil

metros de altitude. No entanto, elas têm suas peculiaridades. Em lugares distintos surgem sobre a forma de grandes muralhas, seja na Mantiqueira ou Caparaó, a espreita, margeando grandes centros ou nos confins do nosso território, cercado por matas densas e inacessíveis, sobre a Serra do Imeri, no extremo norte do país. Sobressaem-se, sempre, roubando a cena, se espichando e rompendo as nuvens em direção aos céus.

No texto que segue, escolhi 11 montanhas que figuram entre as maiores do país. Na verdade, fazem parte de listas que divergem uma das outras e instigam discussões sobre quais podem ser consideradas realmente um pico e as que apenas compõem cumes secundários de uma mesma montanha. Existem estudos que elegem, no Caparaó, outros dois picos sem nome, no grupo das grandes montanhas brasileiras. O Pico do Calçado, na Serra do Caparaó, também fomenta discussão. Com o passar dos anos, medições têm sido refeitas, especialmente a partir do projeto “Pontos Culminantes” do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, voltado para a conferência e revisão das medidas, que começou em 2001, um trabalho ainda em andamento. Com isso, listas serão refeitas e classificações sobre as porções mais altas do País serão retomadas, fazendo das medidas existentes referências de uma verdade transitória e não absoluta. Nesse sentido, a seleção que segue é muito mais simbólica do que pautada por um rigor científico e pretende se oferecer como um convite aos apaixonados pelos desafios, pela liberdade e pelas peculiares experiências

propiciadas pelos desejados cumes.

1ª - Pico Da Neblina – Serra do Imeri AM – 2.993 m

A neblina ofusca a visão e oculta a paisagem, lembrando que a denominação é pura alusão ao

fenômeno A probabilidade de vê-lo é pequena, já que o pico faz jus ao nome e se apresenta envolto em sua neblina quase eterna ao longo do ano. Para se atingir o ponto culminante do país a tarefa é árdua, afinal são cerca de 10 dias, enfrentando batalhões de insetos, calor, frio, fome e cansaço rumo ao topo do Brasil. A história começa em São Gabriel da Cachoeira, cidade às margens do Rio Negro, perto da divisa com a Colômbia. De lá são cerca de 5 horas chacoalhando sobre a carroceria de um caminhão pela barrenta BR-307, passando pela inspeção da FUNAI a estrada segue pela reserva indígena do Balaio,

região habitada por diferentes etnias, entre elas Tukános, Desána, Yepamashã, Kobéwa, Tuyúka, Pirá-Tapúya, Baníwa, Baré e Tariáno, até atingir o rio Ya-Mirim, para iniciar uma nova e extenuante jornada de dois dias sobre uma voadeira vencendo rios traiçoeiros, que já vitimaram algumas embarcações tombadas pelas pedras ocultas sob as águas barrentas.

Para não ter sérios problemas com os índios, é fundamental uma autorização da AYRCA(Associação Yanomami do Rio Cauaburís e Afluentes), documento liberado pelo presidente da associação e amplamente debatido com as lideranças indígenas, que questionam os motivos e intenções da expedição.

A área fica na Tríplice fronteira (Brasil/Venezuela/Colômbia) e freqüentemente é alvo de exploração clandestina de minérios, garimpo, biopirataria além da eminente proximidade dos vizinhos guerrilheiros das F.A.R.C.

O parque nacional do Pico da Neblina foi criado na década de 70, sobre terras Yanomami, que tiveram sua área recentemente demarcada. Com sua cultura milenar, os indígenas lutam bravamente para defender seu espaço sagrado e manter a soberania sobre seu território.

No terceiro dia é hora de deixar o barco. Começa a caminhada por ladeiras sombreadas por mata primária, do Igarapé do Tucano em direção ao Bebedouro Velho, local do próximo pernoite. A umidade é um dos piores adversários, penetrando nas frestas mais protegidas dos equipamentos. No outro dia segue-se ao bebedouro novo e as pegadas de onça mostram que os felinos estão à espreita. O calor beira o insuportável, e a chuva é presente em toda caminhada. No dia seguinte, o terreno começa a se modificar vagarosamente e o caminho de terra, folhas e lama dá lugar a musgos e liquens, formando um tapete traiçoeiro e escorregadio pelo infindável aclive pedregoso. As árvores altas sedem espaço a vegetação de altitude. Bromélias e orquídeas ornamentam o caminho e mostram as diferentes faces de uma Amazônia pouco conhecida. No dia do ataque ao cume, são

cerca de 1000 metros a vencer. Os músculos tensos sentem, a pele marcada pelas folhas cortantes faz lembrar, porque o Parque Nacional do Pico da Neblina é considerado um dos lugares mais inóspitos e hostis do planeta. A geografia se transforma abruptamente e o jardim jurássico de bromélias e raízes dá lugar ao caminho rochoso, abrasivo e firme. O auxílio de cordas é inevitável para romper os últimos abismos que separam o viajante do Pico da Neblina, que resume-se a alguns metros quadrados, que passam dias a fio sem um único raio de sol, com uma bandeira do Brasil gritando freneticamente aos caprichos do vento. É bem provável enfrentar dias difíceis dentro da mata, para não se ver nada além da Neblina. Entretanto, não é o cume o tempero principal dessa jornada. O caminho, o desafio de vencer as limitações físicas e emocionais faz dessa empreitada algo para poucos. O topo do Brasil está conquistado!

2ª - Pico 31 de Março – Serra do Imeri(AM) – 2.972m

A data é para ser esquecida! 31 de março de 1964 foi o dia em que culminou o golpe militar que

derrubou o presidente João Goulart e deu início aos anos negros da ditadura no nosso país. O segundo cume mais alto do Brasil foi conquistado no mesmo ano negro, por uma expedição militar, que, provavelmente batizou o pico assim para homenagear o feito catastrófico... Bom, mas essa já é passado.

O Pico fica na Serra do Imeri, bem perto do Neblina e pode ser considerado um cume secundário da montanha mais alta do Brasil, pois se encontra no mesmo maciço. Mais aplainado que o vizinho gigante, o 31 de março pode ser alcançado a partir do cume do próprio Neblina através de uma crista que liga as montanhas em pouco mais de 600 metros. No entanto vale lembrar que após conquistar os dois cumes a missão ainda não estará cumprida. É preciso voltar, em extenuantes 4 dias pelo mesmo caminho, até São Gabriel da Cachoeira. Se não conseguir vislumbrar a paisagem lá do alto, ao menos, o perrengue estará garantido.

3ª - Pico da Bandeira – Serra do Caparaó – MG/ES - 2.891 m

A mais acessível entre as grandes montanhas brasileiras, já foi considerada a maior do país. No século 19, D Pedro II determinou que cravassem uma bandeira do império dando origem ao nome, onde seria, supostamente o ponto culminante do Brasil. Quase dois séculos depois, essa marca foi desmistificada, no entanto, a imponência de sua forma e a grandiosidade das montanhas na divisa dos dois estados, Minas e Espírito Santo, nos revela um país em sua face menos conhecida. Bem próximo ao litoral Capixaba, a serra do Caparaó, que é uma ramificação da serra da Mantiqueira, inspira aventureiros a embrenhar-se pelos escarpados e despenhadeiros na busca pela imensidão vista do cume. O parque nacional do Caparaó, que foi criado no início da década de 60 é uma das áreas de mata atlântica mais representativas do território capixaba, formado também por campos de altitude. A região foi palco da guerrilha do Caparaó, um movimento armado de esquerda que desafiou o regime militar no final da década de 60, sendo desmantelada no ano seguinte do seu surgimento. No entanto, é de calmaria que se inspira os moradores mais próximos, onde a vida das pessoas continua a mercê dos costumes do passado e da tranqüilidade do interior. A ascensão ao Pico da Bandeira é feita por trilha tecnicamente fácil, onde não é necessário o auxílio de cordas, porém, o desnível é evidente. A trilha pode ser vencida pelas primeiras horas da madrugada, para ver o nascer do sol do alto do cume, quando os primeiros raios atingem a cadeia montanhosa e justificam todo o esforço num espetáculo único em um dos pontos culminantes do país. A jornada começa a partir de Tronqueira, último ponto de carro seguindo para o Terreirão à 4,5km de distância, onde pode-se acampar. De lá ataca-se o cume por trilha bem marcada, sinalizada com setas amarelas pintadas na rocha que dão a direção. Para quem optar pela subida noturna, é indispensável o acompanhamento de guia, pois a sinalização é ocultada pela escuridão. Lanterna frontal (de cabeça), e pilhas sobressalentes são itens obrigatórios para a subida. Força de vontade e um bom preparo físico são indispensáveis. O frio também é um fator considerável, pois a temperatura atinge facilmente marcas negativas e as rajadas de vento fazem da empreitada algo desconfortável e extenuante.

4ª - Pico do Calçado - Serra do Caparaó – MG/ES - 2.849 m


No Maciço do Caparaó, em outro escarpado da mesma montanha do Pico da Bandeira, encontra-se o Pico do Calçado. Há quem diga que a montanha é um cume secundário da mesma montanha, separados por uma caminhada de 15 minutos sobre uma aresta que liga os dois picos. Do cume se avista o Pico do Cristal, um dos mais belos do país. O parque é um dos mais visitados do Brasil e é cortado por trilhas que permeiam os gigantes de pedra. Até 2004 o Pico do Calçado não constava entre os 10 maiores picos do país, somente após a nova medição feita pelo IBGE, no projeto “Pontos culminantes do país” a nova medida foi aferida, colocando o Pico do Calçado em 5° lugar. É claro que essas medidas serão refeitas, e a nova lista provavelmente mudará a ordem das coisas. Já existem estudos que remetem outros cumes ainda não nomeados a lista das grandes montanhas brasileiras. Por tanto, independentemente da sua ordem numérica, o Calçado figura a extensa cadeia de montanhas, no ponto mais elevado do Sudeste brasileiro, e sem dúvida em um dos mais belos.

5ª - Pedra da Mina – Serra Fina – MG/RJ/SP - 2.798 m

Uma trilha complicada, em um dos lugares mais inacessíveis da Mantiqueira. A Pedra da Mina integra o maciço da Serra Fina, que guarda em seus caminhos intrincados uma das travessias mais difíceis do Brasil. Existem algumas trilhas para se atingir o cume. O primeiro caminho aberto, foi pela cidade de Passa Quatro MG, na fazenda Serra Fina, num bairro conhecido como Paiolinho. Além dessa rota existem outras 3, uma pela Toca do Lobo, saindo da mesma cidade, outra por Itamonte através da fazenda Engenho da Serra, e ainda, uma menos conhecido saindo da cidade de Queluz. Optamos por fazer a trilha pioneira. O caminho começa por entre árvores altas em meio a mata fechada, passando por alguns riachos, seguindo sempre para o alto. Vale lembrar que as previsões climáticas são imprecisas nas alturas, pois a montanha dita a lei que rege o tempo por ali. A subida se encorpa e aos poucos, afloram-se rochedos que dominam a paisagem. Nesse momento entra-se nos campos de altitudes, e o caminho não dá trégua, a escassez de água torna a jornada ainda mais extenuante. A vegetação é composta por florestas ombrófilas mistas, localizadas acima dos 1000 metros de altitude e vegetação de altitude. O clima se caracteriza por verões bastante úmidos e curtos períodos de seca. Mesmo para montanhistas experientes, um GPS é de grande valia, já que os nevoeiros são constantes, e as referências visuais se perdem entre a atmosfera brumosa, atrapalhando a navegação. Seguindo os totens que marcam o caminho, e após vencer o aclive abrupto, avista-se o grande cume com seus 2797m. Até o ano 2000, a Pedra da Mina era considerada, oficialmente, mais baixa que o Pico das Agulhas Negras. Após nova medição, realizada através de uma expedição de dois dias, feita por pesquisadores do departamento de Geografia da USP, a montanha passou a ser considerada a 4ª montanha mais alta do País e a mais alta da Mantiqueira, superando a vizinha Agulhas Negras. No cume da montanha a vegetação é formada unicamente por espécies herbáceas e arbustivas, adaptadas às baixas temperaturas e aos ventos constantes.

Uma boa opção, é acampar no topo, apesar do frio. Pela noite a temperatura, seguida de ventos, despenca, mas nada que atrapalhe uma boa conversa ao redor das barracas. Uma dose de rum ou um gole de vinho também é uma boa opção para espantar o frio. É possível avistar as luzes de dezenas de cidadezinhas ao redor. Pela manhã, o nascer do sol contrasta as paredes de pedra dos vizinhos gigantes de Itatiaia, e faz da Pedra uma das vistas mais impressionantes da Mantiqueira.

6ª - Pico das Agulhas Negras – Parque Nacional Itatiaia –RJ - 2.792 m

Grandes lanças sulcadas na pedra irrompem o horizonte na forma de agulhas negras apontando para o céu. A beleza de suas formas esculpidas pela ação dos ventos e a imponência de sua altura chamam a atenção de quem visita a parte alta do Parque Nacional do Itatiaia, o mais antigo do Brasil. Existem duas trilhas mais utilizadas para se chegar ao cume do Pico das Agulhas Negras, a “Via Pontão”, mais fácil e usada pela maioria das pessoas, e que assim mesmo exige bom preparo físico, equilíbrio e uma boa porção de coragem para vencer o último trecho. É preciso atravessar agachado por pequenos corredores espremidos entre as pedras, e pendurar-se em agarras de rochas para vencer os últimos metros. Para assinar o livro, que está em outra torre de pedra próximo ao cume, é preciso vencer um abismo, que a separa do pico com o auxílio de corda, e escalar um trecho íngreme e escarpado para atingir a caixa metálica que resguarda o livro de assinaturas e que está postada no cume oficial da montanha. Uma outra via, menos usual e mais técnica é conhecida como “Via Útero”, subindo por uma grande fenda rumo ao cume. No entanto a montanha possui várias vias para os escaladores mais ousados e algumas rotas que nem foram conquistadas ainda. Do cume avista-se o maciço das Prateleiras, o Morro do Couto, o vale do Paraíba, o vale do Aiuruoca e mais a frente a Serra Fina, que faz valer o esforço, numa visão de 360 graus. Foi ali, nos gigantes do Itatiaia que, supostamente, surgiu o montanhismo brasileiro e que ainda hoje tem a capacidade de nos revelar muitos segredos.

7ª - Pico do Cristal – Serra do Caparaó - MG - 2.769 m

Uma montanha de formas perfeitas, assim é definida pela maioria dos montanhistas. A origem do nome pode ser notada em noite de lua cheia. Os cristais de quartzo que afloram na superfície, ganham brilho à luz da lua, em um fenômeno natural de rara beleza. A montanha fica na mesma porção do Pico Calçado e do Pico da Bandeira, compondo o maciço do Caparaó. Porém seu acesso é um pouco mais técnico, passando por trechos expostos e exigindo algumas “escalaminhadas”. Nada que não possa ser vencido com alguma insistência, e um pouco de ousadia. A presença de um guia, para quem não tem muita experiência, é indispensável. A maneira mais prática de se conhecer a montanha é na descida do Pico da Bandeira.
A trilha é um pouco fechada no início, clareando na chegada de um grande platô marcado por totens. Será preciso saltar por entre pedras soltas e usar as mãos para ascender na trilha. Existem 2 rotas conhecidas para o Cristal, para o Calçado e o Pico da Bandeira. A trilha Capixaba menos frequentada, e a mais usual, por Minas Gerais.

8ª - Monte Roraima – Parque Nacional do Monte Roraima (RR) – 2.734 m

Diante dos olhos, pairam soberanos os Tepuis, grandes montanhas com os topos aplainados em forma de platô. Composto por um dos cenários mais antigos e exóticos do planeta, o Roraima faz parte dessa cadeia de montanhas, e está situado no extremo norte, entre o Brasil a Guiana e a Venezuela. Na realidade, do grande cume com cerca de 90km² , apenas 10% está do lado brasileiro, e para subi-lo, é preciso atravessar a fronteira para a Venezuela, já que os grandes paredões de arenito são inacessíveis para nós, simples mortais. Porém, há registros de escaladores que enfrentaram dias de expedição, escalando e dormindo pendurados nos rochedos para vencer a grande muralha vertical, de 1000 metros de altura em sua natureza friável. A jornada começa, à partir da aldeia indígena Parai-Tepui, e pode durar de 5 a 8 dias, dependendo do roteiro. Para se alcançar a outra borda e conferir o lado brasileiro, é preciso escolher o roteiro mais longo. Caminha-se no primeiro dia, cerca de 4 horas até o acampamento do Rio Tek, aos pés do Monte Kukenán.
O segundo dia de caminhada começa após a travessia do rio Kukenán. É uma ladeira interminável, que aos poucos vai se acentuando. A extensão a percorrer é menor, mas a subida dura é o único caminho a seguir, até se alcançar o sopé do monte.
No terceiro dia, é preciso encarar a rampa do Roraima, como é conhecida. É um aclive no sentido real da palavra, projetando-se sobre o flanco da escarpada parede alaranjada. Trata-se da única via para o cume, um degrau formado pelo desmoronamento das camadas mais superficiais de arenito, compondo uma grande escada de pedras soltas. A alternativa foi descoberta pelo botânico inglês Everard Im Thurn, consagrado como o primeiro a pisar no topo, em 1884, após muitas tentativas ao redor do tepui. Os relatos de Im Thurn inspiraram o escritor Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, a escrever O Mundo Perdido.
Já no topo da montanha, a atmosfera misteriosa rouba a cena, estimulando a imaginação diante de ‘gigantes de pedra’ que se espicham até as nuvens. Como sentinelas metamórficos, aqueles mesmos rochedos testemunharam o Período Jurássico e assistiram ao lento afastamento da América do Sul em relação à África, após a cisão do antigo super continente denominado Gondwana. Os hotéis, como são chamados pelos índios, são abrigos ou cavernas de pedras que servem como proteção da chuva e dos ventos. As plantas formam pequenos jardins, agarrados ao substrato pobre e ralo na superfície das rochas. São populações únicas de plantas carnívoras, orquídeas e bromélias, muitas delas exclusivas daquele ambiente. O primitivo tepui nos leva, definitivamente, a outra dimensão. Entretanto o caminho até o lado brasileiro é longo. Passa-se por El fosso, enigmática depressão sobre o platô, com um grande e profundo poço embutido, onde o chão desaba subitamente. Mais adiante chega-se a tríplice fronteira. O marco indica o lado brasileiro que se deve seguir. A partir dali, pisa-se em terreno pouco explorado, rumo ao desconhecido, já que a maioria das pessoas voltam a partir do marco fronteiriço. Segue-se por trilhas pouco visíveis até o hotel Coati, já no lado brasileiro. É uma caverna singular, esculpida pela água e pelo vento, que foram sulcando pacientemente as paredes e compondo formas diversas na rocha.
Em sua arquitetura excêntrica, forjada por milhões de anos, o tepui termina, ao Norte, com uma incrível saliência pontiaguda, semelhante à proa de um barco. Para se atingir o extremo norte do monte, é preciso vencer uma seqüência impressionante de grandes rochas e algumas gretas profundas, essa face é quase inacessível. Mesmo depois da conquista do topo por Conan Doyle, ainda levou quase um século para exploradores e aventureiros atingirem tal ponto. A façanha foi realizada em 1973 por uma equipe de alpinistas britânicos, liderados por Joe Brown.
Os tempos são outros, e apesar do aumento frenético de turistas que buscam as antigas trilhas dos índios que reverenciavam o Deus Macunaíma, os mitos ainda ecoam nos vales que entremeiam os tepuis, seja nas lendas vividas pelos pemons, ou na introspecção a que o monte nos remete. Revelando-nos um encontro com o próprio ser e com a origem da vida.

9ª - Morro do Couto - Parque Nacional Itatiaia - MG/RJ - 2.680 m

Criado em 1937, o parque Nacional do Itatiaia possui duas portarias que separam a mesma área demarcada em dois ambientes distintos. Na parte baixa, árvores centenárias e vegetação típica de mata atlântica compõem a reserva repleta de cachoeiras e poços ideais para banho, no entanto é na parte alta que se concentra a aventura, a paisagem muda, e as matas dão lugar aos campos rupestres compostos por rochedos de formas variadas e vegetação rasteira que espreitam as grandes montanhas dessa porção extremamente fria do país, que já esteve coberta de neve mais de uma vez.
O Morro do Couto é a primeira montanha que se alcança a partir da portaria do parque, e pode ser vencido em duas horas de caminhada fácil. A montanha é freqüentada por muitos escaladores em busca das diversas vias com variados graus de dificuldade. Outra rota para se atingir o cume, é saindo do Pico das Prateleiras e seguindo pela crista da montanha até o alto. Do topo tem-se uma vista incrível do Pico das Agulhas Negras e da Serra Fina. Apesar de ser um dos parques mais visitados do país, ainda existem várias trilhas inexploradas e vias a serem conquistadas.

10ª - Pedra do Sino de Itatiaia – Parque Nacional do Itatiaia – 2.670m

Em meio a paisagem de formas exóticas, no parque nacional do Itatiaia, que significa “Pedra Cheia de Pontas” em Tupi, encontramos uma montanha pouco conhecida no cenário de um dos parques mais visitados do Brasil. Trata-se da Pedra do Sino, com seus 2670 metros. É o terceiro ponto mais alto do parque e está entre as 10 montanhas mais altas do país. Existem várias rotas para se atingir o cume, mas nenhuma delas está bem marcada, devido a pouca freqüência de visitas. A trilha mais conhecida se estende por 12 km, e é preciso subir pela Pedra do Altar, bem próximo ao cume, e descer até a base da Pedra do Sino para, enfim ascendê-la. Por tanto, se trata de uma das ascensões mais extenuantes do parque, tendo que vencer o grande desnível por duas vezes, para se atingir o cume. Suas formas arredondadas no topo, faz com que a montanha se pareça à um grande sino sobreposto ao platô. O desafio físico e a ausência de turistas pelo caminho valem a escolha.

11ª - Pico dos 3 Estados – Serra Fina – 2.665m

A respiração ofegante dita o ritmo, na Serra Fina não existe caminhada leve. Para se atingir o pico dos 3 estados, localizado exatamente no marco geográfico que divide Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, é preciso vencer o desnível dessa porção extremamente irregular da Serra da Mantiqueira. A origem do nome, Mantiqueira, que em Tupi significa “Montanha que Chora”, parece não fazer muito sentido nessa região, pois a ausência de água é evidente, fazendo dessa jornada algo ainda mais complicado. Após caminhar horas pela crista da Serra Fina, atinge-se a base da montanha que se espicha em um trecho muito íngreme que leva ao topo. O uso das mãos é inevitável projetando o corpo para cima das rochas e ajudando na ascensão. No cume, é possível caminhar pelos três estados circundando o marco do topo. A diversidade endêmica da vegetação encontrada pelo caminho, o desafio físico, a vista privilegiada do cume e a possibilidade de estar nos três estados brasileiros faz dessa caminhada. Em cada cume, e em cada montanha conquistada nos parece possível alcançar o céu e estar mais perto de algo maior, que nunca conseguiremos mensurar apenas sentir. O vento, as nuvens, a natureza e a nossa presença diante dela.


06/10/2009 - 10h53 - Matéria publicada na Revista Aventura & Ação n°153
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Luciano Ribeiro



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