segunda-feira, 3 de junho de 2013

Travessia Petrópolis x Teresópolis - Parque Nacional da Serra dos Órgãos - RJ -

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos é o terceiro parque nacional mais antigo do Brasil. Foi criado em 30 de Novembro de 1939 pelo então Presidente Getúlio Vargas.
Este parque abriga a Travessia Petrópolis X Teresópolis, considerada por muitos um clássico do montanhismo nacional e a mais bonita travessia do Brasil.
Sem dúvidas esta travessia possui grandes argumentos para ser colocada como a mais bonita do Brasil, mas claro que isto depende muito do gosto pessoal, pois cada lugar possui sua beleza.
Normalmente, a travessia é realizada em 3 dias através de um terreno difícil, com muitas subidas e descidas íngremes. É uma caminhada pesada e durante os 3 dias você irá surpreender-se a cada curva ou cume atravessado. Ao final do dia você terá a certeza que cada passo valeu a pena.
Para os mais aventureiros, a travessia pode ser realizada a noite. O parque permite a entrada até às 22h, algo difícil de ser encontrado em outros parques e que proporciona uma experiência e um nível de dificuldade diferente.


A trilha:

A travessia pode ser feita em ambas as direções. Se iniciada em Petrópolis, o nível de dificuldade é maior devido ao grande ganho de altitude na subida até o Castelos do Açu.


A travessia pode ser feita em ambas as direções. Se iniciada em Petrópolis, o nível de dificuldade é maior devido ao grande ganho de altitude na subida até o Castelos do Açu.
A navegação não é fácil, pois apesar da trilha ser bem demarcada nos locais onde o solo é de terra, há trechos onde a trilha some ao cruzar grandes extensões de lajedos de pedras ou trechos de capim alto, além de fortes nevoeiros comuns nesta região que podem diminuir a visibilidade para menos de 20 metros.
Existem totens de pedra e setas desenhadas no chão em alguns pontos da trilha. Embora muitas destas marcações sejam feitas por pessoas bem intencionadas, nunca é recomendável confiar totalmente nelas, pois há casos conhecidos de pessoas que fizeram marcações erradas de propósito.


Os pontos de água durante a travessia podem variar de acordo com a época do ano, em geral encontra-se água do inicio da trilha até a bifurcação para a cachoeira Véu da Noiva, depois há um ponto de água no Ajax e em seguida apenas no Castelos do Açu. No segundo dia encontra-se água no Vale da Luva (após cruzar o Morro do Marco), na Cachoeirinha (após cruzar o Morro da Luva), no Vale das Antas (após cruzar o Morro do Dinossauro) e no Abrigo 4. O terceiro dia é o mais tranquilo, pois se cruza diversos riachos ao longo da descida para Teresópolis.


O local correto para encher os seus cantis fica bem ao lado daquela pedra maior em um pequeno buraco onde corre uma água limpa, pura e fresquinha.
Devemos nos atentar para um detalhe, em épocas de estiagem ao final de agosto, setembro esta água costuma ficar bem escassa por isso um dica é nunca deixar para abastecer o seu cantil totalmente no Ajax para que você condiga chegar ate os castelos do Açu abastecido de água.

Vamos a trilha:

1º Dia: Sede de Petrópolis – Castelos do Açu (8 km)

O primeiro dia desta travessia é o mais difícil, durante os 8 km até o abrigo do Açu sobe-se aproximadamente 1100 metros.
A trilha inicia na portaria do Vale do Bonfim e segue através de uma mata fechada até a bifurcação que dá acesso a Gruta do Presidente e Cachoeira Véu da Noiva.



A partir deste ponto segue-se pela direita onde se inicia uma subida forte até a Pedra do Queijo. Este é um bom local para descanso e possui uma vista panorâmica do Vale do Bonfim.



Após a Pedra do Queijo, a trilha fica um pouco menos íngreme até a chegada ao Ajax, local que possui um ponto de abastecimento de água. Após o Ajax chega-se ao ponto considerado como o mais difícil da subida para o Castelos do Açu: a Isabeloca. Esta subida tem este nome em homenagem a uma suposta passagem da Princesa Isabel em lombo de mulas.



A subida da Isabeloca torna-se difícil devido ao cansaço acumulado após a subida de 800 metros desde a portaria e ao solo erodido somado a grande inclinação do terreno.
Vencida a Isabeloca, chega-se ao Chapadão, trecho mais plano por onde se segue através de lajes de pedra onde a trilha não é visível, sendo demarcada apenas por pequenos totens de pedras que nem sempre existem ou são confiáveis. Considero este o ponto mais difícil da travessia devido à navegação complicada. Em caso de neblina, se você não conhecer bem o local, ou não possuir um GPS, fica quase impossível seguir em frente sendo recomendável aguardar o tempo melhorar.



Após cruzar o Chapadão, chega-se ao Castelos do Açu, primeiro local de pernoite e onde está localizado o primeiro abrigo da travessia. A vista que se tem do Castelos do Açu fecha com chave de ouro o primeiro dia da travessia, de lá é possível avistar todo o Rio de Janeiro e a Baía de Guanabara além de toda a cadeia de montanhas da Serra dos Órgãos.



Este visual realmente é um dos mais belos que tem até completar a travessia, rsrs



Castelo do Açu



Abrigo do Açu, local utilizado por pessoas para fazer comida, tomar banho, dormir em um belo colchão de espuma, tudo isso mediante o pagamento de algumas taxas.
Nada contra a quem alugue este serviço oferecido pelo parque, mais o grande barato e fazer a travessia no modo tradicional bivac na suite do Açu conhecido como abrigo 1, veja se eu não tenho razão.



Logo a direita você pode ver o Abrigo 1, e este é o visual que se tem dele, tenho ou não tenho rasão?
Pode -se utilizar também a velha barraca em locais demarcados no Açu para camping.



O Açu é um local belicismo que vale a pena conhecer, são imagens inesquecíveis com um visual de tirar o folego. Vamos ver algumas fotos do local:



O contraste do céu azul com a mata e incrível eu sempre falo que o azul do céu la no Açu e algo impar é lindo demais.



Sol se pondo no Açu



Lindo não é?



Sem palavras...



Este é o visual que se tem quando o sol esta se pondo a oeste, se você repara bem la no fundo desta foto temos os três picos em Nova Friburgo. Uma dica: Para você acompanhar um belo nascer do sol basta ficar focado neste local pois o sol nasce exatamente sobre estes três picos.



Lindo...


...



Como falei este é o nascer do sol no Açu.



Lindo...


...



Sol a pino, o dia prometia.



Este é um belo local para foto, vejam as imagens ao fundo que coisa linda.



Embora não pareça, mais este relógio esta submerso em um local chamado poço do Índio conforme a foto abaixo. Porque eu coloquei esta foto? Repare a hora 10:14, o sol estava a pino, veja a temperatura da água, 0,6 º caramba estava muito fria.



Poço do Índio



Lindo visual.



Cruzeiro do Açu com a famosa frase "Aos que aqui vieram e aqui ficaram" em homenagem as pessoas que morreram neste local.


....

2º Dia: Castelos do Açu – Pedra do Sino (7 km)

O segundo dia não é tão cansativo quanto o primeiro, mas durante os 7 km até o Abrigo 4 a trilha cruza um terreno com constantes subidas e descidas, sempre variando a altitude entre 2200 e 1900 metros.
Após sair do Castelos do Açu, cruza-se um vale e em seguida sobe-se até o cume do Morro do Marco.



Após a descida deste morro, chega-se ao Vale da Luva que possui o primeiro ponto de água.



Local para coletar água, Dica: é aconselhado levar uma cartela com comprimidos de Clorin para tratar a sua água para consumo vale a pena lembrar que 1 comprimido de Clorin trata 1 litro de água após 30 minutos depois de misturado.



Logo após encher os cantis e subir até o cume do Morro da Luva, a trilha segue por mais um trecho de lajedo de pedra, onde a navegação é complicada, até atingir mais um vale onde fica a Cachoeirinha (outro ponto de água) e, em seguida, o Elevador.

Algumas imagens antes de chegar ao elevador:



Repare o castelo do Açu ficando para traz.



Da esquerda para a direita Pedra do Sino, Garrafão.

O elevador é uma escada feita de vergalhões de aço presos a uma pedra íngreme que dá acesso ao cume do Morro do Dinossauro. No cume do Morro do Dinossauro se tem a primeira grande vista da Pedra do Garrafão e Pedra do Sino. É um bom local para descanso e para apreciar a vista.



Pontes de madeira que da acesso ao elevador.



Elevador.



Nosso grupo subindo, e auto pacas veja a ponte la embaixo.

Depois temos esta visão, indescritível.



Montanhas que dão o nome ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos.



Pedra do Sino

Após descer chegamos ao Vale das Antas, o terceiro ponto de água deste trecho da travessia. Trata-se da nascente do rio Soberbo e há água o ano inteiro.



A descida judia muito dos joelhos um bastão de caminhada ajuda bastante.

A trilha segue subindo até o cume do Morro da Baleia, local de onde se tem uma visão do paredão da Pedra do Sino, Garrafão e da canaleta por onde se acessa o cume da Pedra do Sino e onde está localizado o trecho mais perigoso da travessia: o Cavalinho.



Pedra da baleia.

Após cruzar a Pedra da Baleia e descer escalando por uma grota, temos algumas imagens muito lindas e interessantes pelo caminho vejam.



Esta pedra é muito legal se considerarmos o possível evento cataclísmico que deu origem a estas fantásticas formações rochosas, reparem a base desta pedra e a forma que ela esta apoiada no chão, para que ela ficasse nesta posição ela foi arremessada de algum lugar e para que ela ficasse com esta base ela foi arremessada ainda muito quente pois ela deveria estar ainda amolecida. Muito legal.

Ao chegar em um lugar chamado terra de gigantes temos esta visão.



Alguém sabe porque este nome, terra de gigantes, olha o tamanho desta pedra a mais alta da serra dos órgãos 2245 m acima do nível do mar , esta sena realmente e desafiadora e "desanimadora" você esta cansado as pernas já estão em frangalhos e devemos subir até o cume, quando terminamos de subir esta parte e esquerda coberta por vegetação chegamos ao famoso cavalinho.



Este é o famoso cavalinho.



Meu parceiro de caminhada Alexandre na parte mais critica do Cavalinho caso alguém caia para o lado esquerdo dele direito da foto é um abismo interminável.

Relato: Nesta hora eu já tinha passado pelo cavalinho quando tirei esta foto como eu subi primeiro preferi subir com a mochila nas costa, um enorme erro que fique claro, não façam isso de maneira alguma, por este fato meu GPS caiu da trava de segurança que estava presa na alça da mocha e bateu exatamente onde esta a mão esquerda do Alexandre e caiu para o lado de dentro da fenda e não para o abismo, fiquei desolado olhando ele cair e torcendo para que ela não caísse para o lado do abismo porque senão teria perdido ele.

O Cavalinho tem esse nome por se tratar de uma pedra que para atravessar é necessário fazer um movimento semelhante ao de montar um cavalo. Este trecho é especialmente complicado para pessoas baixas e é perigoso por estar ao lado de um penhasco e não possuir nenhuma proteção. O uso de corda é recomendado.



Ao cruzar o Cavalinho a trilha segue pela canaleta até contornar a Pedra do Sino e chegar a uma bifurcação que dá acesso ao cume do Sino e ao abrigo 4.
A Pedra do Sino é o ponto alto da travessia. No seu cume se tem uma visão 360º incrível, sendo possível avistar diversas cadeias montanhosas da região, o Rio de Janeiro e inclusive o Pico das Agulhas Negras e Serra Fina, nos dias mais claros. Não perca o nascer do sol no cume da Pedra do Sino!
Quando chega neste trevo podemos subir direto para o sino mais eu optei por ir para o Abrigo 4 e ver o nascer do sol do cume da pedra do Sino vejam as imagens que são lindas.



Abrigo 4



Lindo...


...


...


...



Repare ao centro da foto o Castelo do Açu visto do cume da pedra do Sino.



Eu...

3º Dia: Pedra do Sino – Sede de Teresópolis (11 km)

O terceiro dia é o mais fácil da travessia. A trilha segue por aproximadamente 11 km até a barragem, ponto final da travessia, por uma longa descida que inicia através de uma vegetação de campos de altitude e termina cruzando uma densa floresta aonde as árvores vão ficando mais altas à medida que a trilha vai perdendo altitude.



Trilha simples, demarcada, sem muito atrativos.



Uns poucos momentos com um visual da cidade de Teresópolis.



Muito interessante este fungo.

A trilha, neste trecho, é bem demarcada e nos seus 3 primeiros quilômetros propicia uma boa vista da cidade de Teresópolis.
Durante a descida cruza-se duas cachoeiras onde o destaque é o Véu da Noiva de Teresópolis com 16 metros de altura. Os pontos de água são abundantes neste trecho.



Cachoeira do Véu da Noiva.



Algumas pontes pelo caminho.

Após chegar à barragem, existe a opção de continuar a caminhada por mais 4 km até a portaria sendo que o primeiro quilometro pode ser feito através da Trilha Suspensa, uma interessante passarela que cruza a floresta no nível da copa das árvores e possui diversas placas com curiosidades sobre o local.
Assim terminamos a nossa travessia, foram 3 dias de muito sol, aventura, natureza ou seja, tudo que um passeio precisa para ser perfeito.
Um agradecimento ao grupo de pessoas que se juntou a mim e o Alexandre para continuarmos a travessia a partir do Açu. Galera legal.



Valeu pessoal...

Assistam ao vídeo da Travessia Petrópolis X Teresópolis.



Mais videos como este acesse o nosso canal no Youtube no endereço:
https://www.youtube.com/user/lucianoribeiro100




Este sou eu, e já te convido a fazer esta bela caminhada, e se nunca fez nenhuma caminhada deste estilo, não perca mais tempo comece agora mesmo. Boas Trilhas.

Algumas Informações importantes.

Como chegar:

O acesso à cidade de Petrópolis é feito pela BR-040 tanto para quem vem do Rio de Janeiro quanto para quem vem de Minas Gerais.
Para chegar até a portaria do Bonfim existem duas linhas de ônibus que fazem o trajeto a partir do terminal de Corrêas. A linha Bonfim (611) tem o ponto final distante da portaria e exige um trecho de caminhada. A linha Pinheiral (616) chega mais próximo da portaria.
Os horários dos ônibus podem ser consultados no site: http://www.petropolis.rj.gov.br/cpt/index.php/horarios-e-itinerarios/empresas.html
É possível deixar o carro no estacionamento da rodoviária de Petrópolis, no bairro do Bingen.
Outra opção é pegar um taxi que o deixará na portaria do parque. É uma opção válida quando se pode dividir o valor em 4 pessoas.
A volta de Teresópolis para Petrópolis pode ser feita de ônibus em um trajeto de 1:30h.

Onde ficar:

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos possui dois abrigos de montanha, um no Castelos do Açu e outro na Pedra do Sino. Ambos possuem a opção de beliche, bivaque ou camping.
O abrigo do Açu ainda possui a opção de um banho quente mediante ao pagamento de uma taxa de R$10,00.
Na sede de Teresópolis existem dois campings.

Dicas:

Evite fazer a travessia em feriados. Apesar de haver um limite de pessoas na travessia, você encontrará “congestionamentos” em trechos mais difíceis como o Elevador e o Cavalinho, onde a espera pode chegar a meia hora.
Devido ao limite diário de pessoas, compre seu ingresso antecipadamente.
Antes de abastecer o cantil com água, observe ao redor da fonte se não há fezes de pessoas e tenha sempre um purificador de água.
Se possível, leve uma corda de 10 metros e ao menos 8 mm de espessura para auxiliar na travessia da grota antes da canaleta do Sino e no Cavalinho.
Em caso de forte nevoeiro e desorientação, não tente seguir em frente. Espere o tempo melhorar.
Não deixe de apreciar o nascer e o por do sol da Pedra do Sino e do Açu.
A entrada do parque deve ser comprada com antecedência. Especialmente em feriados. O site do PNSO disponibiliza a compra online de ingresso no endereço: http://www.parnaso.tur.br/
Demais informações sobre regras, taxas e atrações podem ser encontradas no site:http://www4.icmbio.gov.br/parnaso/index.php?id_menu=78

Importante!

Não tente fazer esta travessia sem contratar um guia, se você não tem experiência em travessias e o equipamento adequado. É comum pessoas se perderem.
No inverno é comum encontrar temperaturas negativas. Esteja preparado para o frio. O risco de hipotermia é real.
Adote atitudes conscientes, não defeque ou urine próximo à trilha ou pontos de água. Lembre-se que como você, outras pessoas irão encher seus cantis de água.
Traga todo o seu lixo de volta, não há coleta de lixo nos abrigos.
Não acampe fora dos locais permitidos e não faça fogueiras.
Não utilize atalhos. Ao fazer isto você estará contribuindo para a degradação da vegetação e para o aumento da erosão.
Nunca confie 100% em setas e totens de pedra. Pessoas mau intencionadas podem ter feito marcações erradas.

Resumo:

Data da travessia: 29/06/2012 a 01/07/2011
Nível de dificuldade: difícil
Tempo: 3 dias
Distância percorrida: 26 km
Ganho de elevação: 2.090 m
Perda de elevação: -2.170 m
Altitude máxima: 2.245 m

 
©2008 'Aventura na Veia' Por Luciano Ribeiro